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Polícia

Novo comandante do CPI-4 assume e promete Núcleo de Mediação Comunitária

Causadores de desinteligências serão levados para o quartel por PMs para firmarem acordo judicial e evitarem reincidências

por Marcele Tonelli

28/04/2021 - 05h00

Marcele Tonelli

Coronel Hudson Covolan, novo comandante do Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4)

Responsável por Bauru e mais 75 cidades, o Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4) ganhou nova gestão nos últimos dias. Bauruense, o coronel Hudson Covolan assumiu e diz que terá à frente como uma de suas principais missões a implementação, até 2023, do Núcleo de Mediação Comunitária. Em parceria com o Poder Judiciário, o serviço terá como objetivo treinar policiais militares para atuarem como mediadores de pequenos conflitos da população, como briga de vizinhos e perturbação de sossego, evitando, assim, a reincidência dos acionamentos à PM, especialmente aos finais de semana.

"Há locais em que somos acionados quase todo sábado e domingo, seja por brigas entre vizinhos, por causa de som alto, sujeira, entre outros. A ideia é trazer para dentro da sede do quartel as pessoas que geram desinteligências com frequência. Elas terão a chance de assinarem um acordo validado pela Justiça", explica o coronel Covolan, comentando que o núcleo em questão consta como ação no plano estratégico do CPI-4.

Apesar de o prazo para implantação ser 2023, o coronel tem expectativa de que o serviço comece a funcionar em Bauru já no ano que vem. "Garça, Barra Bonita e Marília já têm policiais treinados para esse serviço, inclusive", comenta Covolan.

ABORDAGENS

Diante de um possível agravamento da crise social que tem se instalado no País, em razão da pandemia, retração econômica e do desemprego, a Polícia Militar de Bauru e região também diz que deve ampliar a orientação e atendimento psicológico voltados às equipes com intuito de zerar confrontos em abordagens.

"A população está mais estressada e a abordagem de suspeição tem sido mais difícil. As pessoas estão desempregadas, endividadas e mais à flor da pele. Com isso, elas sentem as abordagens como uma forma de importunação e acabam materializando sua frustração em desrespeito aos PMs. E tudo isso pode acabar gerando desacatos", comenta Covolan, explicando que almeja os comandantes e psicólogos da corporação mais presentes.

"É preciso sempre orientar o nosso pessoal a ter empatia, a adotar posturas que não suscitem mais ira. O policial também é ser humano, mas, no exercício da função, precisa ser um conciliador, um mediador comunitário", completa o coronel.

COMUNITÁRIO

Para ele, a Polícia Militar não pode se limitar ao atendimento de crimes. O novo comandante diz que solicitará aos PMs que se envolvam mais com as questões da comunidade que atendem, com foco a prevenir crimes e tragédias. Situações que vão desde um buraco na rua, que possa gerar acidentes, até a percepção de violência doméstica em um dado local deverão ser comunicadas aos órgãos competentes pela própria corporação, segundo o coronel.

"A PM existe para garantir uma vida melhor ao cidadão, não apenas diante da segurança pública. O policial é um sacerdote não religioso que tem como missão servir ao povo", finaliza o novo comandante do CPI-4.

Trajetória

Criado na região do Altos da Cidade, o coronel Hudson Covolan tem 52 anos, é formado em direito e tem mestrado e doutorado em segurança pública. Possui formação também em teologia. Na PM há mais de três décadas, ele foi soldado e cabo da Rota, antes de completar a academia Barro Branco. Atuou no comando de Força Patrulha, chefiou a base Noroeste de Bauru, atuou na Força Tática, antigo Tático 4, comandou a Agência de Inteligência do CPI-4 e passou pelas coordenações de finanças, logística e operacional do órgão, ao qual também já serviu como chefe de estado maior. Em 2020, deixou Bauru para comandar o 27.º Batalhão de Polícia Militar de Jaú (27.º BPMI) e, no mesmo ano, foi transferido para o 9.º BPMI, em Marília. Com a transferência do coronel Robson Douglas de Souza para o CPI-3, em Ribeirão Preto, Hudson voltou para Bauru e assumiu o CPI-4.

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