Bauru

Polícia

DNA esclarece estupro após 14 anos

Polícia Civil identificou o autor durante cruzamento em banco de materiais genéticos de presos por crimes sexuais no Estado

por Larissa Bastos

22/05/2021 - 05h00

Bruno Freitas

Delegada Alexandra Nogueira, da Delegacia de Defesa da Mulher: "Essa é uma resposta positiva para a vítima e para a sociedade"

Em 26 de março de 2007, uma mulher, de 25 anos na época, foi estuprada e roubada sob a mira de uma arma de fogo, embaixo de um viaduto no Jardim Bela Vista, em Bauru, enquanto voltava do trabalho. Agora, após 14 anos, ela poderá ver o responsável por esse crime bárbaro encarar a Justiça, já que a Polícia Civil identificou R.R.G. (somente as iniciais foram divulgadas pela corporação), de 49 anos, como autor do estupro. O homem foi identificado durante um cruzamento do banco de DNAs de autores de violência sexual da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística de São Paulo (IC-SP).

O projeto do Setor de Biologia e Bioquímica do IC-SP, em parceria com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e com faculdades estaduais, coletou o DNA de todos os presos condenados por crimes sexuais em São Paulo. A partir disso, cruzaram essas informações com o banco de dados da Polícia Civil de materiais genéticos sem identificação, encontrados em vítimas de estupro. Dessa forma, foi possível solucionar diversos crimes em todo o Estado, inclusive o que vitimou a moradora de Bauru, em 2007.

De acordo com a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, Alexandra Aparecida Gonçalves Ramos Nogueira, responsável pela conclusão do inquérito, o autor não foi identificado na época, porém, foi coletado material genético dele na peça íntima da vítima, que ficou armazenado no banco de dados da corporação. "Como ele foi preso por um outro estupro que cometeu, em Suzano (SP), o DNA dele foi colhido e, durante o cruzamento das informações, a compatibilidade foi constatada, em setembro do ano passado", explica.

Depois disso, a DDM pediu o desarquivamento do processo ao juiz da 3.ª Vara Criminal de Bauru, para que o autor do crime fosse indiciado formalmente pelos crimes praticados em 2007. "O indiciamento foi feito no final do mês de abril e, após o relatório conclusivo da autoridade policial, o inquérito foi encaminhado à apreciação do Poder Judiciário. O meritíssimo juiz da Vara de Execuções Criminais também foi informado para reanalisar a situação processual do indiciado, que está preso em Ribeirão Preto (SP), em regime semiaberto", detalha Alexandra.

VOLTAVA DO TRABALHO

Conforme consta em registro policial, a mulher voltava a pé do trabalho por volta das 18h20 do dia 26 de março de 2007, quando, nas proximidades do Fórum, no Jardim Bela Vista, foi abordada por um homem. Mediante uso de arma de fogo e estrangulamento, o criminoso arrastou a vítima para baixo do viaduto, onde cometeu o estupro. Depois, ele fugiu levando o celular dela e uma quantia em dinheiro.

"Nós ficamos contentes com o fato de a vítima receber uma resposta da polícia, no sentido de esclarecer a autoria. Para ela, 14 anos se passaram sem que soubesse quem foi o autor desse crime bárbaro. Essa é uma resposta positiva para ela e para a sociedade", complementa Alexandra Nogueira.

DENÚNCIA

Por fim, a delegada orienta que, em casos de violência sexual, as vítimas devem procurar a delegacia o mais rápido possível. "Apesar de ser um momento muito perturbador, ela precisa procurar a polícia para exame de corpo de delito e coleta do material genético do autor. Esse é um tipo de crime que deixa vestígio na maioria das vezes e, se essa prova for perdida, não há como ser recuperada. Às vezes, é a única forma que conseguimos identificar o criminoso, principalmente porque DNA só existe um", finaliza a delegada da DDM. 

Caso semelhante em Agudos

Em outubro de 2020, um estupro também foi esclarecido da mesma maneira em Agudos (13 quilômetros de Bauru). Conforme o JC noticiou, a vítima pôde finalmente ver seu agressor preso após 11 anos do crime.

O homem, que estava com 33 anos quando foi detido, também só foi identificado porque cumpria pena por outros ataques sexuais e participou do mutirão de coleta de DNA feito em 2019 pelo Instituto de Criminalística (IC) em unidades prisionais paulistas.

Assim como no caso de Bauru, o confronto do material genético dos detentos com o de vítimas de estupros não esclarecidos comprovou que ele violentou sexualmente a moradora de Agudos. A mulher, inclusive, chegou a passar mal ao reconhecer pessoalmente o seu agressor.

O estupro ocorreu na madrugada de 30 de setembro de 2009, no bairro CDHU, quando a vítima, na época com 20 anos, retornava para casa a pé com um sobrinho de 7 anos.

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