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Polícia

Caso fura-fila: técnica alega que usou 'xepa' para imunizar seus familiares

Profissional foi ouvida pela Polícia Civil ontem e justificou não saber que o uso de sobras daquela forma não era permitido

por Larissa Bastos

28/05/2021 - 05h00

Aceituno Jr./JC Imagens

Caso ocorreu na USF da Vila São Paulo; funcionária foi demitida

Nesta quinta-feira (27), prestou depoimento a técnica de enfermagem investigada pelo crime de peculato, acusada de ter vacinado indevidamente, na Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila São Paulo, quatro familiares que não integram o grupo prioritário da imunização contra a Covid-19. Segundo a Polícia Civil, a profissional - a identidade não foi divulgada - alega que usou doses que seriam descartadas e que não sabia, na época, que essa "xepa" não poderia ser aplicada em pessoas que não fossem dos grupos pré-determinados.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Cássia Canzian, a investigada alegou que, em fevereiro deste ano, quando a vacinação ainda estava no início, "as regras estavam muito voláteis". E, por isso, "não havia entendido ou não havia sido orientada" de que, quando havia sobras, seria necessário chamar até a USF pessoas do grupo prioritário que morassem por perto para serem imunizadas.

"Ela falou que as unidades fecham às 17h e, quando percebiam que haveria sobras, por volta das 16h20, vacinavam pessoas que estavam na própria unidade ou que estavam na região, sem se importar se seria do grupo prioritário ou não. Então, ela disse que acreditou não estar fazendo nada de errado [ao vacinar a própria família]. Mesmo porque, segundo ela, havia muito descarte", detalha a delegada.

SISTEMA

Na época, o sistema de cadastro de vacinados oferecia campos para inserir informações somente sobre idosos e profissionais da saúde, que eram os grupos prioritários quando o fato ocorreu. "Ela relatou que, naquele momento, só abriam essas abas. Então, fez o cadastro deles nesses grupos, porque só tinha essas opções, e não para burlar, porque achava que não estivesse fazendo nada de errado. Ela ainda falou que, se soubesse que era errado, nem teria colocado o nome deles [no sistema] e nem teria feito [a vacinação dos familiares]. Também disse que se arrepende muito e que nunca imaginou que isso tomaria uma proporção tão grande", descreve Canzian, relatando que o marido da investigada, que foi vacinado, também prestou depoimento e alegou não saber a forma que foi cadastrado no sistema.

Além disso, toda a equipe que trabalha na USF foi ouvida pela Polícia Civil. "Todos falam que ela é uma ótima profissional, que nunca tiveram reclamações e que só souberam da situação através da coordenadoria da unidade, quando foram comunicados oficialmente", complementa Cássia Canzian. Agora, o próximo passo do inquérito será convocar até a delegacia o filho e a nora da profissional, que também foram imunizados.

Também para apurar a veracidade das alegações da investigada deve ser verificado se as doses usadas seriam mesmo de "xepa" e se ela teria como, caso quisesse, vacinar sem fazer o registro no sistema.

Questionada sobre o assunto, a prefeitura informou, por meio da Secretaria de Saúde, que "não se manifestará a respeito de investigações em andamento na polícia".

RELEMBRE O CASO

Conforme o JC noticiou, a profissional - que era contratada da Sorri-Bauru, que administra a USF da Vila São Paulo - teria vacinado indevidamente o filho, a nora, o marido e uma cunhada, que têm entre 24 e 44 anos e não integram o grupo prioritário. As doses foram aplicadas entre 8 de fevereiro e 11 de março, mas a suposta fraude só foi descoberta em 20 de abril. Ela foi demitida por justa causa e é investigada por peculato, que prevê até 12 anos de reclusão.

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