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Polícia conclui inquérito e decide não indiciar técnica que vacinou parentes

Relatório foi remetido pela Polícia Civil ao Ministério Público nesta segunda (7); órgão definirá se caso irá para a Justiça

por Tisa Moraes

09/06/2021 - 05h00

Aceituno Jr.

Vacinação ocorreu na Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila São Paulo entre fevereiro e março

A Polícia Civil de Bauru decidiu não indiciar a técnica de enfermagem que vacinou quatro parentes indevidamente contra a Covid-19, na Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila São Paulo. Responsável pelas investigações, a delegada Cássia Regina Viranda Canzian informou que não formou convicção sobre a prática de crime neste caso, embora entenda que a profissional tenha errado ao imunizar pessoas de sua família que não pertenciam ao grupo prioritário.

O inquérito foi concluído e o relatório final remetido ao Ministério Público (MP) nesta segunda-feira (7). Agora, o órgão terá de decidir se arquiva, se solicita apurações complementares ou se oferece denúncia à Justiça pelo crime de peculato, pelo qual a técnica de enfermagem era investigada inicialmente, ou até por outro crime. A expectativa é de que a manifestação da promotoria ocorra nos próximos dias.

De acordo com a delegada, todos os profissionais da USF, assim como os parentes vacinados, foram ouvidos no inquérito. Conforme o JC noticiou, a técnica de enfermagem prestou depoimento no dia 17 de maio e alegou que usou doses da chamada "xepa", que seriam descartadas ao final do expediente por não poderem ser reaproveitadas no dia seguinte.

Os quatro familiares - o marido de 44 anos, o filho e a nora, ambos de 24 anos, e o cunhado de 35 anos - foram imunizados com a primeira dose entre os dias 8 de fevereiro e 2 de março. Somente a nora acabou recebendo a segunda dose, em 11 de março.

"A investigada informou que, naqueles primeiros meses do processo de vacinação, sobravam muitas doses e era prática comum, pouco antes das 17h, quando a unidade fechava, chamar pessoas que estavam no local ou nas imediações para tomar a vacina, independentemente da idade. Então, ela diz que acreditou não estar fazendo nada de errado ao chamar os familiares neste horário", detalha Cássia.

FALTA ADMINISTRATIVA

Ainda de acordo com a delegada, todos os demais profissionais ouvidos disseram acreditar que a imunização ocorreu no fim do expediente, já que a irregularidade não foi presenciada por ninguém e a técnica de enfermagem, habitualmente, ficava sozinha das 16h às 17h na sala de vacinas. Vale lembrar, contudo, que, à época, a "xepa", ao menos oficialmente, só poderia ser destinada a pessoas com 60 anos ou mais ou a trabalhadores da saúde, critérios dentro dos quais os parentes da mulher não se enquadravam.

Naquele momento, inclusive, o cadastro online dos vacinados só oferecia campos para inserir informações sobre estes dois grupos prioritários, o que, segundo a técnica de enfermagem, a levou a registrar os parentes como idosos ou profissionais de saúde, únicas abas disponíveis no sistema.

Para a delegada, ao menos até o momento, pode-se depreender somente que a investigada cometeu uma falta administrativa ao privilegiar os familiares e, por este motivo, já foi punida, visto que foi demitida no dia 22 de abril, dois dias depois de a irregularidade ser descoberta.

A mulher era contratada da Sorri-Bauru, que administra a USF por meio de convênio com a prefeitura.

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