Bauru

Polícia

Bauruense perde R$ 108 mil em golpe

Ao tentar comprar um carro, vítima acabou caindo em um sofisticado esquema de estelionato de um grupo de criminosos

por Larissa Bastos

15/07/2021 - 05h00

Bruno Freitas/JC Imagens

Vítima procurou o Plantão de Polícia Civil em Bauru para registrar boletim de ocorrência

Um bauruense de 32 anos amargou um prejuízo de R$ 108 mil após cair em um golpe pela Internet. Ao tentar comprar um carro, ele acabou sendo vítima de um esquema sofisticado de estelionato arquitetado por um grupo de criminosos que envolve ligações telefônicas, envio de documentos em papel timbrado e até mesmo a negociação de valores com uma concessionária. O homem procurou o Plantão da Polícia Civil, na tarde desta quarta-feira (14), para registrar o boletim de ocorrência (BO).

Entre o primeiro contato e a descoberta do golpe, foram três dias. Na manhã desta segunda (12), André Pereira decidiu comprar um veículo utilitário esportivo (SUV) e procurou opções em sites de comércio online. "Na OLX, vi um anúncio que me interessou e passei meu WhatsApp ao vendedor para negociarmos. Na conversa, ele disse que, na verdade, um caminhão de uma empresa de distribuição de combustíveis do Rio de Janeiro (RJ) tinha atingido seu veículo e essa empresa pagaria a ele um carro novo, do mesmo modelo, como indenização".

O anunciante, que não era de Bauru, alegou que não tinha mais interesse no veículo e que precisava do dinheiro da venda. "Ele disse que eu poderia ir em uma concessionária daqui para escolher o carro com a cor de minha preferência e, depois, deveria pedir para a vendedora enviar a fatura por e-mail para essa empresa [que pagaria a indenização]. No mesmo dia, à tarde, fui até a concessionária e fiz isso. Inclusive, um falso representante dessa distribuidora de combustíveis, que ligava de uma linha com DDD 21, negociou o valor do veículo pelo telefone com a vendedora da concessionária", explica a vítima.

Esse mesmo suposto representante ainda teria pedido para André enviar assinado, por e-mail, uma declaração para fins comerciais, afirmando que o veículo deveria 'sair' da concessionária documentado em nome dele, e não em nome do falso indenizado. Este documento, inclusive, era em papel timbrado. "A pessoa que fez o anúncio do carro reforçava o tempo todo para que eu enviasse o pagamento somente quando a concessionária confirmasse que a empresa pagou a fatura, o que me passava mais autenticidade", diz.

LIGAÇÃO

Já na manhã de terça-feira (13), André recebeu uma ligação de uma linha de DDD 14 que seria da vendedora da concessionária que ele tinha conversado no dia anterior. Mas, na verdade, era o golpista se passando por ela.

"Aquele endereço de e-mail que seria supostamente da empresa que pagaria a indenização era falso. Quando a funcionária da concessionária enviou nesse endereço o e-mail com a fatura, eles pegaram a foto dela do cartão digital e colocaram no perfil do WhatsApp deste número que me contatou para passar mais veracidade. Essa mulher, que se passava pela vendedora, falou que o pagamento havia sido feito pela empresa e me enviou até o comprovante da transferência. Disse que hoje (ontem), eu já poderia retirar o carro. Então, eu fiz o pagamento por Pix para o anunciante", lembra.

Porém, quando foi retirar o carro do estabelecimento na manhã desta quarta-feira (14), foi informado que, na verdade, o pagamento ainda não havia sido feito pela distribuidora de combustíveis. Foi quando ele percebeu que havia caído em um golpe. "Esse carro, zero, custa em torno de R$ 120 mil. Porém, o golpista anunciou por R$ 108 mil. Percebi que o valor estava um pouco abaixo do mercado, mas, pensei que fosse porque ele precisava do dinheiro logo. Não imaginei que fosse golpe. A concessionária, que também foi vítima, até mandou trazer de outra filial o carro da cor que eu queria", lamenta o bauruense.

André Pereira registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil vai investigar o caso. Vale reforçar que é necessário sempre suspeitar de transações vantajosas, principalmente pela Internet, e ainda registrar BO imediatamente caso seja vítima de estelionato.

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