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Polícia

'Eu quero um desfecho', diz mãe de bauruense achada morta em Minas

Anteontem, o corpo da psicóloga Marilda Matias Ferreira dos Santos, de 37 anos, foi encontrado no porta-malas do seu carro

por Cinthia Milanez

24/08/2021 - 05h00

Arquivo Pessoal

A psicóloga Marilda Matias Ferreira dos Santos, de 37 anos, foi encontrada morta no porta-malas do próprio carro

Justiça. Esse é o desejo da família da bauruense Marilda Matias Ferreira dos Santos, de 37 anos, encontrada morta dentro do porta-malas do próprio carro, que estava estacionado na garagem da casa onde a psicóloga morava com o marido, o médico veterinário Pedro Antônio Ribeiro Sobrinho, de 62 anos, na cidade mineira de Pouso Alegre, no último domingo (22). Tanto o velório quanto o sepultamento do corpo ocorreram nesta segunda-feira (23), em Bauru, sob forte comoção.

Mãe de Marilda Santos, a empregada doméstica aposentada Luzia Matias, de 62 anos, só pensa em descobrir o que houve com a sua filha do meio. "Uma moça linda com uma vida inteira pela frente. Não dá para acreditar. Eu quero um desfecho", desabafa.

Conforme o JCNET adiantou, a bauruense foi encontrada pelo marido com os pés e mãos amarrados. Ela usava roupas e capacete de andar de bicicleta. Um dia antes, no sábado (21), a psicóloga teria enviado uma mensagem ao companheiro, que trabalhava em uma fazenda na cidade vizinha de Careaçu, informando que sairia para pedalar.

Quando o médico veterinário retornou, não a encontrou em casa, mas achou que ela ainda estivesse praticando a atividade. Na manhã do dia seguinte, ao verificar o carro, Sobrinho disse que encontrou a esposa no porta-malas e acionou a Polícia Militar (PM).

A Polícia Civil de Pouso Alegre, por sua vez, já deu início às investigações para tentar esclarecer as circunstâncias da morte. O imóvel não tinha sinais de arrombamento e o corpo não apresentava marcas visíveis de violência.

ANGÚSTIA

Como as investigações se dão a quase 400 quilômetros de distância da terra natal da vítima, a família está aflita. "Apesar de nós querermos muito descobrir logo o que houve com a minha filha, nos sentimos de mãos atadas, pois não temos como cobrar agilidade de uma polícia que nem é de Bauru", observa a mãe.

Ainda segundo a aposentada, Marilda Santos nasceu e cresceu em Bauru. "A minha filha começou a namorar o marido ainda na adolescência e, em 2012, logo depois que ela se formou em Psicologia pelo Unisagrado, os dois se mudaram para Minas Gerais por causa do trabalho dele", relata.

A mãe afirma que a psicóloga, que trabalhava no posto de saúde de um município vizinho de Pouso Alegre, gostava da sua vida na nova cidade, mas sentia falta da família. "Ela só queria ser feliz", acrescenta.

A profissional, de acordo com a família, optou por não ter filhos. Ela deixou o marido, os pais, três irmãs e quatro sobrinhos. Ontem, o corpo da bauruense foi velado na Funerária Reunidas e sepultado no Cemitério Parque Jardim do Ypê.

Polícia Civil aguarda resultado de laudo de necrópsia

A Polícia Civil de Pouso Alegre já deu início às investigações para esclarecer a causa da morte da psicóloga bauruense Marilda Matias Ferreira dos Santos e não descarta nenhuma linha de investigação. A corporação aguardava, na tarde desta segunda-feira (23), a conclusão do laudo de necrópsia do Instituto Médico Legal (IML) para definir as próximas diligências. A expectativa é de que o documento fique pronto ainda nesta semana.

Segundo a polícia, o laudo deverá trazer duas importantes informações: a causa da morte e o horário em que a fatalidade ocorreu. A partir disso, será possível definir, com maior precisão, possíveis suspeitos e a motivação do crime. Contudo, o fato de o corpo não ter apresentado sinais aparentes de violência indica que a possível passionalidade do homicídio.

Outra informação que a corporação espera poder confirmar durante as apurações é se a psicóloga chegou a deixar a sua residência para andar de bicicleta, já que o item ainda estava dentro da casa.

Enquanto o laudo de necrópsia não é finalizado, a polícia afirma estar em busca de câmeras de segurança próximas ao imóvel com o objetivo de identificar algum movimento suspeito nos arredores.

Além disso, a corporação confirmou que o álibi apresentado pelo marido da vítima - de que ele estaria trabalhando em outra cidade no horário estimado do crime - seria verdadeiro. Inclusive, uma testemunha também teria se apresentado na delegacia alegando que acompanhou o homem nas buscas pela esposa em hospitais e delegacias enquanto ela estava desaparecida.

 

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