Bauru

Polícia

Polícia Civil prende fornecedor de nova droga 70 vezes mais forte que maconha

Morador de Bauru é apontado pela Deic de Sorocaba como um dos maiores traficantes de drogas sintéticas do Estado

por Larissa Bastos

01/09/2021 - 05h00

JuRehder

Droga Shatter

Apontado pela Polícia Civil como um dos maiores fornecedores de drogas sintéticas do Estado de São Paulo, um homem de 30 anos (a identidade não foi divulgada pela corporação) foi preso na manhã desta terça-feira (31), na Vila Industrial, em Bauru. Segundo as investigações, que foram realizadas em Sorocaba, o traficante chegou a movimentar cerca de R$ 400 mil em um único mês e comercializava entorpecentes novos e pouco conhecidos, como o 'shatter', que tem efeito até 70 vezes mais forte do que a maconha (veja mais no quadro ao lado).

De acordo com o investigador-chefe da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, João Almeida, as diligências da Operação Estilhaço, que visa combater o tráfico de entorpecentes sintéticos, começaram naquela cidade, porém, o morador da Vila Industrial e seu 'braço direito' - um outro homem, de 30 anos, que também foi preso ontem, no Centro de Bauru - acabaram identificados no curso das apurações.

Segundo o policial civil, o traficante tinha um esquema diferenciado para o comércio das drogas. "Ele era morador de Sorocaba e se mudou a Bauru para ficar 'em off'. Não gostava de negociar com muitas pessoas diferentes. Por isso, tinha uma espécie de clube de compras e vendia apenas para conhecidos. Identificamos que ele tinha compradores em todo o Estado. As entregas ocorriam em Bauru e na Capital", explica Almeida.

"Ele é um dos principais fornecedores de drogas sintéticas de São Paulo e um dos únicos conhecidos [por comercializar o 'shatter'] também. Mediante autorização judicial, monitoramos a conta bancária deste suspeito e, nos últimos seis meses, constatamos que ele movimentava mensalmente, em média, R$ 100 mil. Em um desses meses, a movimentação chegou a R$ 400 mil", detalha o investigador-chefe.

VÁRIOS ENTORPECENTES

Na casa do suspeito, na Vila Industrial, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram localizados oito celulares, cerca de 300 comprimidos de êxtase, haxixe, frascos líquidos de LSD, cocaína e uma grande quantia de 'shatter' - conhecida no Brasil como 'meleca' -, que é um novo tipo de extração da cannabis que pode ser até 70 vezes mais forte que a maconha, por conta de sua alta concentração de THC. "Um grama deste entorpecente custa R$ 500", afirma o investigador. A quantia exata de tudo o que foi apreendido, contudo, não foi divulgada.

Ainda segundo Almeida, o "shatter" é tão recente que, até no meio policial, é um entorpecente pouco conhecido. "Antes das investigações dessa operação, não sabia de sua existência. Isso porque trabalhei durante sete anos na Delegacia de Entorpecentes. Mas, agora, vamos continuar apurando para encontrar a origem dessa droga e identificar outros possíveis envolvidos no esquema", complementa.

PRISÕES

A operação de ontem contou com a ação de 18 policiais da Deic de Sorocaba, e apoio do mesmo órgão de Bauru. Os investigados, que já tinham passagens por tráfico de drogas, foram encaminhados à Cadeia Pública de Avaí, onde aguardam pela análise da custódia, que deve ser feita pela Justiça nesta quarta-feira (1).

Outras duas pessoas foram detidas ao serem flagradas pelos policiais comprando entorpecentes dos investigados durante o cumprimento dos mandados de busca. Esta dupla, porém, foi ouvida e liberada após assinar um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) por posse de drogas.

 

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