Bauru

Polícia

Estelionatários aliciam 'drops' para receber produtos em casa

Eles cedem seus endereços para que sejam feitas as entregas de produtos de golpes

por Larissa Bastos

25/09/2021 - 05h00

Polícia Civil/Divulgação

No último dia 16, pacotes frutos de golpes foram apreendidos

Estelionatários estão usando cada vez mais uma nova peça na "engrenagem do crime" para aplicar golpes pela Internet. Os 'drops', nome pelo qual são chamados no meio criminal, são pessoas de perfis variados que, aliciadas por golpistas, cedem o próprio endereço residencial para receber os produtos frutos de fraude eletrônica, mediante o pagamento de cerca de R$ 50,00 por pacote. A estratégia é usada pelos bandidos para dificultar a identificação pela polícia.

De acordo com o delegado coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Bauru, Alexandre Protopsaltis, esse tipo de fraude funciona da seguinte forma: golpistas criam perfis falsos em plataformas digitais onde é comum o comércio de produtos usados. E, ao encontrarem um possível alvo, geralmente vendedores de celulares e videogames, de qualquer parte do Brasil, iniciam uma negociação para ludibriar a vítima.

Depois que o negócio é fechado, esses estelionatários usam endereços de e-mail falsos para mandar, em nome das plataformas, uma confirmação de pagamento à vítima, informando, contudo, que o valor só será depositado para ela após o envio. "E, como o corpo desse e-mail é muito parecido com os verdadeiros, a vítima acaba acreditando que a venda realmente foi feita, sem se atentar ao endereço falso, e envia o produto para o endereço informado pelo criminoso, que, no caso, é de um desses 'drops', responsável por receber a mercadoria e permanecer com ela por um período, até que o autor da fraude vá até o local buscá-lo", detalha Protopsaltis.

'POR DINHEIRO FÁCIL'

O coordenador do SIG afirma que não há um perfil específico das pessoas que exercem esse papel de 'drops'. "Geralmente, vislumbram uma forma de obter dinheiro fácil. Já identificamos 'drops' desde pessoas com passagem por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas até adolescentes. Mas, por vezes, esses aliciados não sabem que, se flagrados, vão responder pelo mesmo crime do golpista, de estelionato por fraude eletrônica. Pensam que estão apenas recebendo uma mercadoria, mas o crime depende da ação deles para ser consumado. Então, eles fazem parte dessa engrenagem", explica.

Protopsaltis ainda observa que o uso desses intermediários por golpistas tem aumentado bastante por conta da popularização dos crimes cibernéticos e da necessidade de técnicas para tentar driblar a polícia.

PRISÕES

Em Bauru, desde abril deste ano, ao menos seis 'drops' já foram identificados e presos pela Polícia Civil, além de dois estelionatários propriamente ditos. No desdobramento mais recente, registrado no último dia 16, a corporação conseguiu flagrar um jovem de 19 anos, suspeito de ser o golpista, buscando uma entrega fraudada na casa de uma adolescente de 16 anos, que havia recebido a embalagem da transportadora cerca de 10 minutos antes, na Vila Industrial.

"Embora seja um crime sem violência e grave ameaça, antigamente, a tendência na audiência de custódia era os juízes soltarem. Mas, neste caso recente, mesmo o suspeito tendo 19 anos e sem passagens, o juiz decretou a prisão preventiva. Isso mostra que a tendência é de ter uma punição mais severa para crimes de estelionato qualificado com fraude eletrônica. Além disso, por ter aliciado a menina, ele ainda deverá responder por corrupção de menores", observa o coordenador do SIG.

Já a adolescente, que responderá por ato infracional de estelionato por fraude eletrônica, contou ganhar R$ 50,00 por pacote e confessou que, nos últimos dois meses, tinha recebido mais de 30 encomendas.

DENÚNCIAS

Para identificar possíveis 'drops', Alexandre Protopsaltis conta que é feito um cruzamento entre um levantamento de residências da cidade que recebem muitas encomendas com uma listagem de endereços citados em boletins de ocorrência (BOs) de estelionato. "Por isso, é muito importante que as vítimas de golpes procurem uma delegacia de polícia e registrem o BO, para que a gente consiga investigar e identificar os responsáveis", alerta.

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