Bauru

Polícia

GPB cria comissão para acompanhar ocorrências de roubo de gado na região

Pecuaristas querem debater medidas com órgãos de segurança e auxiliar no trabalho; crime em Itatinga reacendeu o alerta

por Guilherme Tavares

06/10/2021 - 05h00

Fotos: Guilherme Tavares

Reunião do Grupo Pecuária Brasil (GPB) debateu nesta terça-feira (5), em Bauru, ações para coibir crimes na zona rural

Preocupados com os crimes na área rural, um grupo de pecuaristas de Bauru e região decidiu criar uma comissão para acompanhar o andamento das investigações sobre roubos e furtos de gado e buscar orientações e diálogo junto às autoridades de segurança pública. O alerta cresceu após roubo de cerca de 350 cabeças de gado de uma fazenda de Itatinga (120 quilômetros de Bauru), no começo do mês passado (leia mais abaixo), conforme noticiou o JC.

A comissão, composta por cinco integrantes do Grupo Pecuária Brasil (GPB), associação representativa da classe, deve encaminhar nos próximos dez dias um ofício à Delegacia Seccional de Botucatu, responsável pelo inquérito de Itatinga, solicitando uma reunião. Lourenço Talamonte Netto, delegado seccional de Botucatu, já sinalizou estar aberto a conversar com os produtores rurais (leia mais abaixo).

A criação da comissão foi definida durante uma reunião do GPB nesta terça-feira (5), em Bauru. Na ocasião, o grupo também aventou a possibilidade de solicitar um encontro com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a fim de fortalecer o diálogo com as autoridades.

De acordo com a presidência do GPB, a percepção é de que os roubos e furtos de gado têm se tornado mais frequentes na região nos últimos anos. Com isso, surgiu a necessidade de encontrar caminhos e soluções. Nesse sentido, o grupo frisa estar à disposição das autoridades para auxiliar no trabalho, não apenas cobrando, mas também contribuindo com ações que visem diminuir esse tipo de crime, encontrar os culpados e dar a tranquilidade que a zona rural necessita.

Apesar de representar a pecuária, o GPB lembra ainda que os crimes não se limitam ao gado, uma vez que são levados também máquinas, tratores, defensivos agrícolas e adubos. E, recentemente, têm sido furtados cabos de eletrificação para retirada do cobre e redes de pivô, resultando em prejuízos enormes aos produtores.

VIGILÂNCIA

Uma das medidas amplamente discutida pelos pecuaristas foi a implantação de câmeras de monitoramento nas propriedades. "Não dá mais para criar gado como antigamente. Você tem que acompanhar diariamente. É um investimento alto [em câmeras], mas que perto da perda de uma ou duas cabeças de gado acaba saindo mais barato", afirma Bilac de Almeida Bianco Neto, pecuarista de Duartina (45 quilômetros de Bauru).

Ele, inclusive, disse que pretende implantar o monitoramento na propriedade o mais rápido possível para melhorar a segurança.

Polícia Civil identifica suspeitos do assalto realizado em Itatinga

Guilherme Tavares

Waldir Rodrigues da Silva teve sua fazenda atacada há 1 mês

Pelo menos quatro suspeitos do roubo de cabeças de gado em Itatinga já foram identificados e a Polícia Civil deve pedir a prisão deles nos próximos dias. O delegado seccional de Botucatu, Lourenço Talamonte Netto, disse não poder dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações. Mas, afirmou se tratar de uma quadrilha especializada. "Eles já têm os receptadores desse gado e agem de forma muita rápida", informa o delegado.

Os receptadores, ainda segundo Talamonte, também estão sendo investigados.

Na noite de 13 de setembro, pelo menos 20 assaltantes armados invadiram uma fazenda em Itatinga, renderam um funcionário e levaram cerca de 350 cabeças de gado. No dia seguinte, os animais estavam sendo leiloados em Avaí (39 quilômetros de Bauru). Dessas, 336 foram recuperadas, avaliadas em mais de R$ 1 milhão.

"Para levar as 350 cabeças, os ladrões precisaram de 12 caminhões. Rodaram na estrada sem nota, sem nada. Um roubo desse tamanho não é comum em lugar nenhum do Brasil", afirma Waldir Rodrigues da Silva, dono da fazenda que foi roubada. Ele também vai instalar câmeras de segurança na propriedade.

Grupo especial de investigação

Com a crescente preocupação com os crimes no campo, o delegado seccional de Botucatu, Lourenço Talamonte Netto, criou, em julho do ano passado, o Grupo de Investigação na Área Rural (Giar), vinculado à DIG.

Segundo Talamonte, o trabalho tem dado resultado. "Esclarecemos vários crimes. Como exemplo, em julho deste ano, prendemos cinco pessoas também por roubo de gado em Gália (63 quilômetros de Bauru)", afirma o delegado seccional.

"É uma preocupação da Polícia Civil [a segurança no campo]. Usamos esse grupo de forma preventiva junto a produtores rurais. Porque, às vezes, o roubo é em uma região, mas a entrega dos animais ou do maquinário não. Então, monitoramos as informações até mesmo para não deixar os produtores desavisados, no caso de uma eventual compra sem saber a real procedência", conclui o delegado.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) destacou a criação desse grupo especial e as prisões já realizadas. "Além disso, os policiais da unidade estão à disposição dos pecuaristas e produtores rurais para registro e investigação dos fatos", concluiu a pasta.

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