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Polícia

Valor do cobre dispara e furtos do material seguem em alta em Bauru

Preço do metal no País triplicou em pouco mais de um ano e meio, tornando-o cada vez mais visado no mercado clandestino

por Tisa Moraes

14/11/2021 - 05h00

Malavolta Jr./JC Imagens

Delegado Alexandre Protopsaltis, da SIG, comenta onda de furtos

A disparada no valor do cobre é apontada como um dos principais motivos que levaram ao aumento do número de furtos deste tipo de material em Bauru. Segundo especialistas em economia e segurança pública ouvidos pelo JC, o preço deste tipo de material triplicou em pouco mais de um ano e meio e esta valorização acelerada, somada a um cenário econômico ruim, com alto índice de desemprego e elevação do custo de vida, fez com que o cobre se tornasse cada vez mais visado para venda no mercado clandestino.

Titular do Setor de Investigações Gerais (SIG) em Bauru, o delegado Alexandre Protopsaltis revela que o número de ocorrências de furtos deste tipo de metal aumentou consideravelmente ao longo da pandemia. "Estão levando tudo de ligas metálicas de imóveis em construção ou abandonados, sem algum tipo de vigilância. Acredito que tenha relação com este momento da economia, haja vista o aumento do número de pessoas pedindo dinheiro em semáforo", frisa.

Porém, além de crimes cometidos de forma individual, sabe-se que até mesmo quadrilhas atuam de forma organizada para furtar o material, movimentando altas cifras no mercado paralelo. Para se ter ideia, segundo o economista Carlos Sette, de março de 2020 até hoje, o preço do produto triplicou no Brasil, saltando de R$ 28,00 o quilo para R$ 91,00.

Uma das razões para a alta é o fato de a produção do metal estar concentrada em apenas um país, o Chile, responsável por fornecer 90% do material consumido em todo o mundo. "E, na pandemia, a produção acabou diminuindo. Logo depois, houve uma greve de trabalhadores que também afetou o abastecimento para o mercado global", comenta.

RETOMADA DA DEMANDA

Para piorar, a China, que absorve quase 50% da produção mundial, ampliou o consumo do metal em sua retomada de atividades neste ano, diante do arrefecimento da pandemia, o que pressionou ainda mais a cotação do preço do material.

"Para se ter ideia, o cobre, que conduz energia elétrica, é utilizado por praticamente todo o setor industrial, em todos os processos, e fortemente em segmentos como, por exemplo, as indústrias automotiva, eletrônica e de geradores. Com a retomada, a demanda por este produto pós-pandemia, foi muito grande no mundo inteiro", observa Sette.

Outro agravante é o fato de o metal ser cotado em dólar, que segue com valorização em alta frente ao real especialmente a partir de março de 2020, quase sempre acima da marca de R$ 5,00. "Todos estes fatores levaram ao atual cenário, de alta no custo", acrescenta o economista.

De acordo com o delegado Alexandre Protopsaltis, para tentar coibir furtos deste e de outros tipos de metal, a Polícia Civil tem reforçado as ações conjuntas com a Polícia Militar e CPFL contra receptadores, especialmente ferros-velhos que funcionam de forma clandestina.

Estátuas de bronze

Divulgação

Imagem de São Benedito foi tirada do jazigo, mas deixada dentro do cemitério

E o cobre não é o único metal alvo da ação de criminosos. Em Bauru, até mesmo uma estátua de bronze de Jesus Cristo, medindo aproximadamente 1,75 metro de altura, foi furtada de um túmulo do Cemitério da Saudade, na Vila Flores, região do Higienópolis, às vésperas do Dia de Finados, conforme o JC noticiou.

Recentemente, outras duas estátuas, de Nossa Senhora Aparecida e de São Benedito, foram retiradas de jazigos, mas, por motivos ainda a serem esclarecidos, acabaram sendo abandonadas dentro da necrópole. As imagens foram guardadas pela Emdurb, que administra os cemitérios públicos da cidade, para evitar novos furtos no local.

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