Bauru

Polícia

Homem é resgatado de cativeiro após sofrer sequestro em Bauru

Vítima de 53 anos foi encontrada em um barraco no Fortunato, desorientado e com pés e mãos amarrados, na tarde desta terça

por Tisa Moraes

10/11/2021 - 05h00

Samantha Ciuffa

Homem de 53 anos apresentava escoriações: "Não achei que fossem me segurar por tanto tempo"

Um homem de 53 anos foi resgatado, na tarde desta terça-feira (9), de um cativeiro no Núcleo Fortunato Rocha Lima, em Bauru. Vítima de sequestro, ele estava com pés e mãos amarrados e sofreu ferimentos leves nos braços e nas pernas. O caso foi registrado como extorsão mediante sequestro relâmpago e com qualificadoras de o crime ter sido cometido por duas pessoas ou mais e com emprego de arma de fogo.

Segundo o policial civil aposentado que estourou o cativeiro e é primo da vítima, os criminosos tentaram negociar o pagamento de valores para liberar o homem. Um deles, de 27 anos, foi detido e levado ao Plantão Policial, onde acabou sendo ratificada a prisão em flagrante.

Ainda bastante abalado com o ocorrido, a vítima - a identidade será preservada por questões de segurança - contou ao Jornal da Cidade que foi abordada na tarde de segunda-feira (8) no Núcleo Pousada da Esperança 1. Ele estava dirigindo seu Jeep Renegade, quando teria sido surpreendido por um grupo de pessoas desconhecidas, sendo que ao menos uma delas estaria armada. 

"Acredito que queriam meu carro e também pediram a senha do cartão do banco. Eu disse que não tenho dinheiro guardado, que só tenho a conta para receber e sacar o dinheiro da minha aposentadoria. Não achei que fossem me segurar por tanto tempo", relembra.

O homem diz que foi levado ao Fortunato dentro do porta-malas do próprio carro e, no cativeiro, em um barraco, foi espancado, tendo permanecido sempre com pés e mãos amarrados. Ele também contou à polícia que foi obrigado a usar crack enquanto era mantido refém e teve mais de R$ 400 levados.

Na manhã desta terça, sua irmã recebeu uma ligação do celular dele, feita pelo suspeito que foi detido posteriormente. "Ele disse que meu irmão estava desmaiado, que estava com ele e não o conhecia, mas que ele tinha uma dívida a pagar. Eles queriam dinheiro. Perguntei onde eles estavam e ele disse que ligaria depois", comentou a irmã, também ouvida pelo JC.

Ela, então, avisou um primo, policial civil aposentado, que voltou a ligar para o celular da vítima. Novamente, a mesma pessoa atendeu.

Em entrevista à reportagem, o policial disse que o criminoso pediu dinheiro para liberar seu primo, quando, a partir de sua experiência em ocorrências policiais, conseguiu convencer o interlocutor a marcar um encontro para o acerto de valores.

ABORDAGEM

"Eles disseram que estavam próximos a uma escola. Chamei um amigo policial militar que estava de folga e fomos até lá. Passamos em frente à escola e avistamos o Renegade com as portas abertas e quatro indivíduos dentro", comenta.

Ao perceber que precisaria de reforço para a abordagem, o policial civil se afastou do local e acionou a Polícia Militar. Quando o apoio chegou, o veículo não estava mais no local. Na sequência, foram iniciadas buscas no bairro, até que, em uma viela, a vítima foi localizada pelo primo no cativeiro, amarrada e deitada no chão, suja, desorientada e monitorada por um dos criminosos.

"Esse rapaz alegou que teria recebido pedras de crack de outra pessoa para ficar cuidando do cativeiro", acrescenta o policial civil. Logo em seguida, uma equipe da PM encontrou o Jeep Renegade a algumas quadras de distância.

Próximo do veículo, outro indivíduo foi detido depois de apresentar nervosismo e informações desencontradas. Porém, no Plantão Policial, ele acabou sendo liberado, por não terem sido encontradas evidências de sua participação no crime.

Já o outro suspeito, de 27 anos, teve a prisão em flagrante ratificada pelo delegado plantonista Frederico José Simão. O homem teria dito que o sequestro foi arquitetado por um traficante e duas mulheres, nenhum deles ainda identificado. 

Já a vítima passou por atendimento na UPA da Bela Vista e recebeu alta, sendo ouvida também pelo delegado na noite desta terça-feira. 

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