Bauru

Polícia

Com Parkinson, idoso de 71 anos é espancado em Bauru

Advogado pede prisão dos envolvidos; tremor teria sido confundido com gestos sexuais

por Larissa Bastos

23/11/2021 - 05h00

Arquivo Pessoal/Reprodução

Agressão foi numa praça na Vila Lemos

Um idoso de 71 anos, que tem Doença de Parkinson, foi parar na UTI após ser espancado em um ponto de circular na Praça Adolfo Bezerra de Menezes, na Vila Lemos, região do Jardim Bela Vista, em Bauru. E o que teria motivado as agressões chama a atenção. Segundo a família da vítima e o advogado que os representa, o tremor por conta da enfermidade teria sido confundido com gestos sexuais. O defensor entrou com pedido de prisão temporária contra os agressores por tentativa de homicídio. As identidades dos envolvidos serão preservadas em respeito ao Estatuto do Idoso e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

As agressões ocorreram no último dia 8. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), por volta das 7h, uma adolescente estava sentada em um dos bancos da praça, quando teria visto o idoso com a mão no bolso. Como ele fazia movimentos, a jovem achou que o homem estivesse se masturbando em pé no ponto de circular, que fica a cerca de 20 metros de onde ela estava. A garota disse ainda que o idoso não falou com ela e nem se aproximou. 

Consta ainda em BO que a adolescente teria gritado questionando o que era aquele movimento que o idoso fazia. Em resposta, ele ergueu as mãos para o alto e disse que nada estava fazendo. Mesmo assim, ainda de acordo com o registro policial, ela ligou para o pai, que chegou no local pouco depois com um pedaço de madeira em mãos. Ele teria golpeado o idoso várias vezes e fugido.

Segundo Guilherme Bittencourt Martins, advogado que representa o homem espancado, testemunhas relataram que um irmão mais velho da jovem também agrediu a vítima. Ainda existe a suspeita de que um grupo de adolescentes, que seriam amigos dela, também teriam participado do ato violento.

FERIMENTOS

O defensor relata que o idoso sofreu várias fraturas na face e teve o pulmão bastante machucado. Ele foi socorrido e levado para a UTI do Hospital de Base de Bauru (HBB), e só acordou nesta segunda-feira (22), após duas semanas intubado. Até o fechamento desta edição, o homem seguia internado na unidade intensiva.

"Ele sofre de Parkinson há 12 anos e, quase todas as manhãs, frequenta o mesmo ponto de ônibus. Quando ele precisa ir no posto ou em algum lugar, ele prefere ir de manhã porque tem mais disposição. Às terças e quintas, ele vai na clínica de uma faculdade da cidade fazer fisioterapia. Na maioria das sextas-feiras, ele vai na Apae, onde faz fisioterapia e passa por fono, psicóloga, nutricionista e terapia ocupacional. Nós apuramos junto a entidades que é comum pessoas que sofrem desta doença tentarem disfarçar o tremor colocando a mão embaixo da perna, quando sentados, ou no bolso, quando estão em pé", argumenta Bittencourt.

O caso foi registrado, a princípio, como lesão corporal contra o idoso, e ato obsceno contra a adolescente. Porém, na última sexta-feira (19), o advogado entrou com uma petição de instauração de inquérito policial por tentativa de homicídio por motivo fútil, meio cruel e por dificultar a defesa da vítima, além do agravante de se tratar de um idoso. "Também pedimos a prisão temporária do pai e irmão da adolescente porque, até agora, eles não se apresentaram na polícia. Estamos trabalhando para reverter a situação e comprovar que não houve ato obsceno", conclui.

Sobre a doença

O Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva, causada por uma diminuição da produção de dopamina, neurotransmissor que ajuda no envio de mensagens entre as células nervosas. Além dos tremores severos, principalmente nas mãos, a enfermidade também pode causar lentidão dos movimentos, rigidez, instabilidade postural e dificuldades para andar.

De acordo com o projeto brasileiro Vibrar com Parkinson, os enfermos geralmente têm o hábito de manter as mãos no bolso a maior parte do tempo, pois ajuda a minimizar ou controlar os tremores, por vergonha ou até para evitar constrangimentos de olhares curiosos e comentários desagradáveis.

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