Bauru

Polícia

Em ação que investiga policial falso, Polícia Civil prende mais 1 e acha fuzis

Armamento de guerra, munições e uniformes foram localizados ontem; Operação Goose começou no início deste mês

por Marcele Tonelli

17/12/2021 - 05h00

Fotos: Polícia Civil/ Divulgação

Uniformes do Samu e da Polícia Civil, coletes balísticos, revólveres, espingardas, pistolas e munições foram apreendidos; ao centro, a bandeira com o logo do curso irregular que era ofertado

A Polícia Civil de Bauru, por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), prendeu um homem e apreendeu vários armamentos, entre eles fuzis de guerra, nesta quinta-feira (16). Trata-se de um desdobramento da Operação Goose, que já havia colocado atrás das grades, no início deste mês, um indivíduo acusado de se passar por policial civil na cidade. O suspeito detido ontem (o JC não teve acesso ao nome completo), de 35 anos, é servidor da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e foi preso por porte ilegal de arma de uso restrito, após a apreensão de fuzis e coletes balísticos em sua casa, na região do Higienópolis, além de farta quantidade de munições em seu carro.

Conforme o JC noticiou, a Operação Goose ocorre desde o início de dezembro, quando um homem, de 39 anos, foi preso ao ser flagrado se passando por policial civil e instrutor de cursos táticos da Academia da Polícia Civil para agentes penitenciários, dentro de uma unidade prisional de Bauru. As investigações seguiram e, nesta quinta, dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A Goose recebe este nome porque, na linguagem policial, denomina-se "ganso" aquele que finge ser agente da lei.

Entre os endereços visitados pelas equipes da Deic, está um pertencente ao primeiro homem preso, que fica no Centro de Bauru. Lá, roupas de policiais, armas de airsoft, centenas de munições e armamentos de uso restrito das Forças Armadas foram localizados.

Outro mandado foi cumprido na região do Higienópolis, na casa do agente de segurança, que foi detido ontem instantes antes em seu local de trabalho, nas imediações de um centro prisional do município. Entre os fuzis apreendidos em sua residência, estão modelos como o 762 e o 556, armamentos de grosso calibre utilizados em guerras.

CURSO ILEGAL

Os demais locais em que os mandados foram cumpridos não foram detalhados pela polícia, mas seriam imóveis frequentados pelos dois presos e por outras três pessoas. Duas delas, inclusive, também acabaram conduzidas até delegacia para serem ouvidas nesta quinta (16), mas não permaneceram detidas.

Também foram apreendidos pela operação uniformes de agentes do Samu, coletes balísticos, coldres, vários tipos de revólveres, espingardas, pistolas e munições. Algumas armas apreendidas, inclusive, tinham o símbolo da polícia gravado.

Uma bandeira com o emblema de uma escola supostamente ilegal de cursos táticos ligada ao falso policial também foi apreendida.

GRUPO

Delegado da Deic, Rogério Dantas é responsável pelas investigações e conta que a atuação de um grupo formado por essas cinco pessoas é apurada. Acredita-se que eles tenham prestado serviços irregulares de defesa pessoal, socorro, entre outros, para empresas e pessoas em Bauru.

"O curso não tinha CNPJ e nem sede física. Essas pessoas tinham apenas registros, como o CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). Não prestaram prova para ministrar cursos de instruções. Mandaram fazer uma bandeira e frequentavam eventos e postavam nas redes sociais", comenta Dantas.

Além da atuação do grupo, a polícia também investiga como os uniformes oficiais e armamentos ilegais eram obtidos.

Tanto o homem detido no início do mês quanto o que foi preso ontem permaneciam atrás das grades até a noite desta quinta-feira, segundo a Polícia Civil.

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