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Acompanhada da polícia, ONG constata maus-tratos a rebanho

Em diligência à fazenda, entidade flagrou gado, que seria bem sequestrado de Gasparini Jr., sem sal e sem bebedouros

por Marcele Tonelli

28/04/2022 - 05h00

Fotos: Naturae Vitae/Divulgação

Veterinário, Gabriel Lima (de azul) esteve na fazenda nesta quarta (27); policial civil Adilson Restanho (de preto) acompanhou as diligências

Após diligências realizadas na companhia de um policial civil e de um veterinário, nesta quarta-feira (27), a ONG Naturae Vitae constatou a situação de maus-tratos envolvendo dezenas de cabeças de gado em área arrendada em uma fazenda em Avaí (39 quilômetros de Bauru). O rebanho, que é apontado pela entidade como bem semovente sequestrado pela Justiça da família de Edison Bastos Gasparini Jr., foi flagrado sem sal e sem bebedouros à disposição.

Um laudo veterinário sobre as condições dos animais, alguns com suspeita de botulismo, contendo ainda uma análise ambiental da área de pasto, será enviado à Polícia Civil.

O documento deve ser anexado às investigações conduzidas pelo delegado Giuliano Travain. Isso porque, conforme o JC noticiou, a ONG registrou boletim ocorrência (BO) sobre a situação, em 19 de abril. Na ocasião, uma queixa de maus-tratos aos bovinos em questão foi feita com base em relatos de um denunciante anônimo e com imagens fornecidas que mostravam as condições precárias de bois e vacas no local.

Ontem, contudo, a situação foi constatada in loco por uma equipe da ONG, acompanhada pelo veterinário Gabriel Lima e pelo policial Adilson Restanho. 

Segundo a diretora jurídica da Naturae Vitae, Thaís Viotto, aproximadamente 100 cabeças de gado - a denúncia inicial falava em 200 - estavam na área verde arrendada pela família Gasparini e que está sob a responsabilidade de um administrador judicial.

Lá, nove animais mortos foram localizados, três deles em área próxima a um fio de água gerado por uma nascente. "O local em que o gado fica é de difícil acesso. E a nascente de água fica em uma área ainda pior. É preciso descer um barranco de uns 10 metros e passar por um atoleiro, e, mesmo assim, não há água suficiente para todos os animais ali. Além de tudo, há restos de bois mortos tanto na água quanto às margens da nascente, o que evidencia crimes ambientais também", relata a advogada, indicando que o veterinário trará, nos laudos, a necessidade de bebedouros de água no próprio pasto, diante dessa situação.

"Os animais estão sem a mínima condição de manejo, muitos magros, mancando e com aspecto de doente. O veterinário acredita que o rebanho sofra também com botulismo, doença que pode ser provocada pela falta de sais minerais. Sem o sal à disposição, o gado acaba lambendo os ossos dos animais mortos e adoece. Percebemos o sofrimento assim que chegamos, eles correram achando que traríamos sal", acrescenta a representante da ONG, que também preside o Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal (Comupda) e a Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB Bauru.

Diante da constatação, a Naturae Vitae diz que pleiteará, por meio de medida judicial, nos próximos dias, que sejam dadas condições adequadas de bem-estar e dignidade ao rebanho. "O administrador judicial tem condições para isso e precisa agir urgentemente", pontua a advogada.

A reportagem tentou contato com o escritório do administrador judicial, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno nem das ligações feitas e nem do e-mail enviado em busca de uma posição.

Responsável pelo controle de propriedades rurais, a Defesa Agropecuária do Estado não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas, conforme o JC apurou, o órgão tem acompanhado a situação por meio de sua regional.

APROPRIAÇÃO

O rebanho de Avaí ligado à família Gasparini vive ainda outro dilema. Em fevereiro deste ano, o Gaeco, órgão do MP, ofereceu denúncia à Justiça, após inquérito policial indicar que 82 cabeças de gado teriam sido apropriadas de forma indébita por um dos responsáveis pela fazenda, que era o arrendatário da área para os Gasparini. Vale destacar que o arrendatário não é o administrador judicial dos bens.

Thiago Tezani, advogado do acusado, nega qualquer apropriação, furto ou desvio e aponta que o rebanho de seu cliente está devidamente cuidado e separado dos animais que são sequestrados judicialmente.

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