Bauru

Polícia

Criminosas usam de 0800 até falsas autoridades em tentativa de golpe

Fingindo ser da CPFL, estelionatárias ligam para comerciantes, ameaçam corte de energia e até inventam delegada ou juíza

por Larissa Bastos

29/04/2022 - 05h00

João Rosan/JC Imagens

Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru; mulheres ligam para os alvos se passando por funcionárias da CPFL e tentam ludibriar

Proprietários de estabelecimentos comerciais de Bauru estão na mira de mais uma tentativa de golpe. Sofisticada, a estratégia de estelionatárias utiliza o nome da CPFL de forma indevida, passa números de telefone 0800 (para chamada gratuita) e 4003 (Número Único Nacional) e conta até com comparsas que fingem ser autoridades. Empresários que, por pouco, não amargaram um prejuízo de cerca de R$ 6 mil também ficaram surpresos com o "português culto" das golpistas.

O crime funciona da seguinte maneira: mulheres ligam para os alvos se passando por funcionárias da CPFL e tentam ludibriar as vítimas, dizendo que existe uma notificação judicial por conta de uma suposta inadequação no relógio medidor do imóvel comercial.

Para obter a vantagem financeira, alegam que a companhia suspenderá o fornecimento de energia elétrica do estabelecimento por, ao menos, 20 dias, caso não paguem imediatamente uma multa falsa.

David Calleja, de 37 anos, proprietário de um bar no Centro, conseguiu escapar, por pouco, do prejuízo. Ele conta que recebeu, por volta das 10h desta quarta-feira (27), a ligação de uma suposta funcionária da CPFL. A mulher questionou se ele estava ciente de uma notificação para trocar um medidor obsoleto do imóvel.

"Ela disse que a notificação era de 21 de março de 2021, data em que eu ainda não era locador do imóvel, e que, às 11h, uma equipe iria até o estabelecimento desligar a energia. Falou que a única forma de evitar o corte seria pagando uma multa de R$ 6 mil", detalha.

Calleja alegou que não tinha esse dinheiro e que também não poderia ficar sem eletricidade, já que trabalha com itens perecíveis. Neste momento, a mulher indicou que ele deveria falar com uma delegada ou juíza federal, passando um telefone com início 4003. Além disso, a suposta funcionária deixou ainda um número de 0800 para que ele retornasse a ligação.

O empresário lembra que, enquanto aguardava na linha para ser atendido, tocava até música e tinha transferência entre ramais, o que ajudou a passar a impressão de que se tratava de um telefone verídico. "A suposta delegada disse que a equipe já estava a caminho do imóvel, e que só poderia tirá-los da rota se eu pagasse a multa. Para tentar me convencer, falou ainda que, caso fosse comprovado a cobrança indevida da CPFL, eu teria direito a ressarcimento e até a danos morais. Ela falava muito bem, tinha português claro. Quando perguntei sobre a forma de pagamento, disse que seria por depósito ou Pix. Foi neste momento que me dei conta que se tratava de um golpe", observa.

Além disso, também colaborou o fato de que o empresário, tentando entender melhor a situação, ligou para a CPFL no número divulgado no site oficial e constatou que não havia agendamento de desligamento para o endereço do comércio.

OUTROS RELATOS

Com o objetivo de alertar sobre o golpe, Calleja publicou o fato nas redes sociais. Para sua surpresa, acabou recebendo relatos de outros empresários da cidade, que também haviam sido contatados pelas estelionatárias.

"Senti que é um esquema muito sofisticado, que envolve, ao menos, três pessoas, e que parecia bastante se tratar de uma notificação verdadeira. Foi por pouco que eu desconfiei. Então, cuidado! Sempre verifiquem as informações, nunca façam algum pagamento de imediato. E sempre procurem na Internet para ver se existe algum golpe do tipo", conclui o empresário, que ficou de registrar boletim de ocorrência (BO).

NA CONTA

O delegado Alexandre Protopsaltis, titular do Setor de Investigações Gerais (SIG), responsável pela apuração deste tipo de crime, destaca que as notificações de cobranças da CPFL são feitas na parte amarela da conta de energia mensal.

Além disso, ao suspeitar que está sendo vítima de um golpe, é importante procurar a Polícia Civil para registrar BO, seja pessoalmente ou por meio da Delegacia Eletrônica (http://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br).

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