Bauru

Polícia

Mulher pega 25 anos de prisão por sequestrar e envenenar a própria filha

Ela foi condenada por dar prato de sopa com raticida para a menina, que tinha somente 9 anos à época e sobreviveu

30/04/2022 - 05h00

Malavolta Jr./JC Imagens

No Fórum de Bauru, jurados decidiram pela condenação da ré

Uma mulher que envenenou a própria filha e a manteve sob ameaça de uma faca para forçar o marido a lhe dar o carro dele foi condenada a 25 anos, seis meses e 13 dias de reclusão, em julgamento realizado pelo Tribunal do Júri, em Bauru. A ré, Edna Aparecida de Souza Ribeiro, cumprirá a pena em regime inicial fechado e não terá o direito de recorrer em liberdade.

A vítima, que tinha somente 9 anos à época do crime, sobreviveu. Inicialmente, a mãe respondia a processo por tentativa de homicídio, mas, nesta quinta-feira (28), os jurados, por maioria dos votos, classificaram a conduta como lesão corporal grave qualificada por motivo torpe, por emprego de veneno, por ser crime contra um descendente e, além disso, criança. Por este crime, Edna recebeu condenação de seis anos, cinco meses e 23 dias e, pela extorsão mediante sequestro, com uso de arma branca, mais 19 anos e 20 dias.

O caso ocorreu em 14 de agosto de 2014, no Parque Santa Edwirges. Depois de ser socorrida, a vítima ficou quatro dias internada no Hospital Estadual. Após receber alta, ainda na fase de inquérito policial, ela relatou que, no dia do crime, pela manhã, a mãe foi buscá-la na escola e que, já em casa, a mulher lhe ofereceu um prato de sopa com veneno de rato.

AVISOU QUE MORRERIA

Como o alimento estava com cor avermelhada, a menina acreditou, contudo, se tratar de beterraba. E o gosto da pimenta acrescentada à receita ajudou a camuflar qualquer sabor estranho. Depois de terminar a refeição, a mãe também tomou um pouco da sopa e ambas foram para o quarto.

Neste momento, a mulher mandou a filha telefonar para o pai e dizer adeus a ele. O homem, que era marido de Edna, foi até o imóvel e a ré teria confessado aos dois ter dado sopa envenenada para a criança, avisando que ela iria morrer.

Pai e filha contaram que a menina já estava passando mal, mas a mulher não permitiu que ele a socorresse. Edna exigiu que o homem assinasse um documento para transferir o Ford Escort dele para seu nome, enquanto ameaçava a garota com uma faca, o que ficou configurado como extorsão mediante sequestro. Ainda de acordo com os depoimentos, havia uma outra arma branca dentro do quarto.

O pai, então, foi buscar o veículo, que estava em um posto de combustíveis, para dá-lo à Edna. Só após a assinatura do documento de transferência, ela liberou a filha, que já estava sentindo fortes dores no estômago, náuseas e tontura. Depois de permanecer por quatro dias internada, a criança recebeu alta.

DEFESA

Também durante a fase de inquérito, o marido e a filha mais velha de Edna relataram que a mulher já teria ameaçado matar a vítima anteriormente, quando ela tinha apenas 2 anos. No plenário, durante o julgamento, conforme consta na sentença, a ré disse não se recordar de ter colocado veneno de rato na sopa da menina e, quando questionada pela juíza Érica Marcelina Cruz, negou estar arrependida do ato, lamentando apenas o fato de não tomado seus remédios.

A tese de inimputabilidade da ré por insanidade mental, sustentada pela defesa, foi afastada, já que um perito e um médico psiquiatra declararam, nos autos, que ela era plenamente capaz de entender a gravidade do crime cometido. O médico acrescentou, ainda, que "uma pessoa com transtorno dissociativo não pode ser considerada incapaz".

Também foi rejeitada a hipótese de 'arrependimento eficaz', pelo fato de Edna ter dado leite à garota, após envenená-la. "A ré nada fez para socorrer a vítima. Ao contrário, impediu o socorro de sua descendente pelo genitor, exigindo-lhe a entrega do veículo. A criança só não veio a óbito porque recebeu pronto atendimento médico", completou a juíza.

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