Bauru

Polícia

Motociclistas negam racha, mas alta velocidade é admitida

Dois condutores que aparecem nas imagens do acidente fatal foram ouvidos pela polícia

por Vitor Oshiro e Larissa Bastos

03/05/2022 - 05h00

Polícia Civil/Reprodução

Velocímetro da moto ficou travado perto dos 120 quilômetros por hora; limite do trecho é de 80 quilômetros por hora

A Polícia Civil, por meio da Divisão Especializada de Investigações Gerais (Deic), identificou os três condutores das motos que aparecem nas imagens do acidente que matou um policial militar de folga e um motociclista, na rodovia Cezário José Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga. Dois já foram ouvidos e negam que estavam tirando racha, contudo, um deles confessou que seguiam acima da velocidade permitida, diz a polícia.

O grave acidente foi registrado por volta das 18h40 do último dia 22, na altura da Vila São Paulo. Como o JC noticiou, a motocicleta conduzida por Felipe Costa Ajala, 33 anos, atingiu a bicicleta onde estava o cabo da PM Daniel Akira Shimamura, 43 anos, que transitava pelo acostamento da rodovia. Ambos não resistiram aos ferimentos e morreram. Um segundo ciclista também estava no local, mas não se machucou.

No início, foi aventada a hipótese de que um caminhão teria jogado o motociclista para fora da rodovia, fazendo com que ele colhesse o ciclista. Contudo, imagens de câmeras de segurança obtidas pela Polícia Civil mostram o condutor da moto atrás do caminhão e saindo pelo acostamento, quando atinge o PM de bicicleta.

A perícia técnica também não encontrou indícios de colisão do caminhão com a moto de Felipe Ajala, explica o delegado Cledson Nascimento, da Deic, responsável pelas apurações do caso.

DEPOIMENTOS

No inquérito policial, foram ouvidos a viúva de Felipe, o ciclista que acompanhava o PM e dois dos motociclistas que também aparecem nas imagens.

Foi apurado que os quatro condutores de moto estavam em uma oficina na região da Vila São Paulo e se dirigiam a um posto de combustíveis. "No depoimento, os motociclistas negaram que estavam tirando racha. Apesar disso, um deles admitiu velocidade acima da média permitida. Sobre o acidente, disse que, possivelmente, Felipe se assustou com a luz de freio do caminhão, que diminuiu a velocidade no declive, e, para não entrar na traseira, derivou à direita e colheu o ciclista no acostamento", conta o delegado.

O velocímetro da moto envolvida na colisão já indicava o excesso de velocidade. O marcador ficou travado perto dos 120 quilômetros por hora, quando, no trecho, o máximo permitido é de 80 quilômetros por hora, reforça a Polícia Civil.

Também foi ouvido o mecânico de motos do bairro e o terceiro motociclista deve prestar depoimento entre hoje (3) e amanhã (4).

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