Bauru

Polícia

Gado é vendido em leilão e laudo confirma maus-tratos

Animais já foram recolhidos pelo novo dono; investigações da Polícia Civil continuam

por Larissa Bastos

06/05/2022 - 05h00

Naturae Vitae

Suspeita é de que os animais mortos tenham sucumbido ao botulismo

O caso das cabeças de gado sequestradas pela Justiça como bens semoventes da família de Edison Bastos Gasparini Júnior teve dois novos fatos nesta quinta-feira (5). O laudo veterinário ficou pronto, atestando a situação de maus-tratos a que os animais estavam submetidos. Também ontem, o rebanho foi vendido em leilão e recolhido pelo novo proprietário da área arrendada em uma fazenda em Avaí (39 quilômetros de Bauru).

Segundo a reportagem apurou, a venda foi autorizada pela Justiça e, no final da tarde desta quinta, todos os cerca de 110 bovinos domésticos, dentre machos, fêmeas, bezerros e novilhos, da raça Nelore, que estavam na fazenda sob responsabilidade de um administrador judicial, já teriam sido levados pelo arrematante.

Contudo, não foi divulgado o valor pelo qual o rebanho foi vendido, por quem ele foi adquirido ou mesmo para onde foi encaminhado.

CUIDADOS

O que se sabe mesmo é que os animais vão precisar de muitos cuidados. Inclusive, a ONG Naturae Vitae, que denunciou o caso em 19 de abril, informou que ficou pronto o laudo veterinário. O documento aponta a contaminação do rebanho por botulismo, causado pela bactéria clostridium, formada no processo de decomposição da matéria orgânica vegetal ou carcaças de animais mortos, podendo ser encontrada na água, no solo e alimentos.

A doença provoca paralisia a partir dos membros posteriores, até chegar ao sistema cardiorrespiratório, causando a morte. Em bovinos, a patologia pode ser prevenida por vacina, que deve ser aplicada uma vez por ano. Mas, diante do estado dos animais, foi concluído que eles não estão sendo imunizados. "Há desnutrição mineral e, quando falta sal, eles lambem as carcaças de forma desesperada para suprir tal necessidade. E, nestas condições, o clostridium se prolifera de forma rápida", explica o documento elaborado pelo veterinário Gabriel Alves Lima.

Para se ter uma ideia, conforme o JC noticiou, foram encontradas nove carcaças de bovinos no local, sem a destinação correta, causando poluição ambiental. Algumas delas, inclusive, estavam caídas perto da nascente de um fio de água onde os animais iam em busca de hidratação, podendo contaminar o líquido e o solo.

Além disso, o laudo também aponta que os bovinos estavam sendo criados "quase que de forma selvagem", apenas tendo à disposição pastagem e sem ponto de hidratação. Eles não tinham, ainda, qualquer tipo de cobertura para se protegerem de intempéries, como sol, frio, chuvas e ventos.

INVESTIGAÇÕES

O documento foi anexado às investigações conduzidas pelo delegado Giuliano Travain, titular da delegacia de Avaí, e será submetido a um laudo indireto elaborado pela Polícia Técnico-Científica. "Mesmo com o leilão do rebanho, o inquérito continua. Nós estamos apurando a situação de maus-tratos, que foi constatada por meio de laudo veterinário. Vamos coletar os depoimentos dos envolvidos a fim de chegar na autoria e responsabilidade criminal de quem deu causa à situação desses animais e à poluição ambiental", explica.

Travain destaca ainda que, por conta do estado em que os bovinos estavam, houve perecimento do patrimônio de indenizatório sequestrado pela Justiça.

A reportagem tentou contato com o escritório do administrador judicial, mas foi informada pela atendente que o representante estava em viagem e não poderia retornar.

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