Bauru

Polícia

Mulher faz BO após ter bolsa revistada em farmácia e vê o ato como racismo

Ela relata que teria sido seguida e abordada outras duas vezes na loja, mesmo após ter negado ajuda; Rede Nissei apura o fato

por Marcele Tonelli

04/06/2022 - 05h00

Arquivo Pessoal/Reprodução

Regiane Rosa acredita ter sido vítima de discriminação racial; na foto segura BO

Uma mulher de 39 anos registrou boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil após ter sua bolsa revistada pelo gerente de uma farmácia, localizada na quadra 8 da avenida Duque de Caxias, região central de Bauru. Regiane Rosa, que é negra, acredita ter sido vítima de discriminação racial. Em nota, a Rede Nissei diz que repudia qualquer tipo de preconceito e que abriu procedimento interno para averiguar a situação. Além disso, afirma que irá reorientar toda a equipe da loja sobre procedimentos.

No documento policial, registrado com natureza "não criminal", a cliente relata que teria sido seguida e abordada duas vezes dentro da farmácia Nissei pelo funcionário, mesmo tendo recusado qualquer ajuda dele.

A situação ocorreu no fim da tarde de 20 de maio, após Regiane sair do trabalho, onde atua como cozinheira. "Meu marido tem um cartão de convênio com a farmácia e, quando o cartão vira o mês, eu aproveito para pegar algumas coisas, porque sempre tem promoção", comenta. "Quando cheguei lá, naquele dia, vi o gerente andando pela loja. Ele me perguntou se eu queria ajuda e eu disse que não. Depois, quando eu agachei para ver o preço de uma bolacha, ele veio, de novo, me perguntar se eu tinha certeza que não queria ajuda. Novamente, eu disse que não", conta.

Na sequência, a mulher se dirigiu ao caixa, onde outra situação envolvendo o mesmo funcionário teria ocorrido. "Quando fui pagar a conta no caixa, havia uma moça atrás de mim. Ele (o gerente) a chamou no fundo da loja e, de repente, ela passou na minha frente. Eu não entendi nada, mas prossegui com a compra", relata.

REVISTA

Quando ela saía do estabelecimento com a nota e o cartão nas mãos, o funcionário estava na porta e novamente a abordou. Desta vez, com pedido de revista da bolsa.

"Ele me pediu para ver a bolsa, para saber se havia caído algum produto da loja dentro. Sem pensar, eu abri e ele olhou. Depois, refleti que não havia necessidade de ter aberto nada", conta Regiane, complementando que chorou logo após a situação e acabou amparada por uma mulher, que teria visto a cena toda e aceitado, inclusive, ser testemunha.

"É constrangedor você sair do trabalho, passar para comprar remédio aos filhos e viver uma situação assim, com as pessoas te olhando como se você tivesse roubado algo", desabafa.

No dia seguinte ao ocorrido, ela procurou a polícia para registrar o BO. A cozinheira também relatou o fato por meio de um vídeo postado em suas redes sociais e, nesta sexta-feira (3), a publicação já alcançava 3,4 mil visualizações.

Diante da repercussão do caso, um ato contra o racismo foi realizado em frente à farmácia no último fim de semana. Regiane esteve no local. "Eu nunca participei de manifestações e nem sou de grupo nenhum, mas, agora, quero ser um exemplo para os meus filhos. Ouvi vários outros relatos de pessoas que passaram por situações assim e aprendi que não devo abaixar a cabeça para o preconceito", observa a mulher, informando que prosseguirá com o caso judicialmente.

"A questão não é indenização, não é dinheiro. É justiça para que isso não se repita com ninguém, pretos ou brancos", ressalta.

AVERIGUAÇÃO

Em nota, a Rede Nissei diz que iniciou uma averiguação e que o caso já se encontra no Departamento de Recursos Humanos para providências internas. "A empresa ressalta que, independentemente do fato, vai reorientar toda a equipe da loja sobre os procedimentos de atendimento", frisa.

A rede afirma ainda que repudia qualquer tipo de discriminação e atitudes preconceituosas e que possui "como um dos seus principais valores o respeito, o qual defende diariamente junto a todos os nossos colaboradores, parceiros, fornecedores e clientes".

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