Bauru

Polícia

Denúncia contra professor: polícia orienta que vítimas se apresentem

DDM afirma que ainda não foram registrados BOs relacionados ao caso; já a Unesp instaurou sindicância para apuração

por Larissa Bastos

05/07/2022 - 05h00

Marcele Tonelli/JC Imagens

Titular da DDM, Márcia Regina dos Santos afirma que relatos serão investigados

Após a repercussão das denúncias de estudantes sobre supostos casos de assédio sexual por parte do professor adjunto da Unesp de Bauru, Marcelo Magalhães Bulhões, a Polícia Civil orienta que as possíveis vítimas procurem a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para oficializar as acusações e para que cada situação seja investigada por meio de inquérito. Outro desdobramento é que, nesta segunda-feira (4), foi instaurada pela universidade uma sindicância administrativa que já pode decidir ou não pelo afastamento do docente (leia mais abaixo).

De acordo com a delegada titular da DDM da cidade, Márcia Regina dos Santos, até o momento, não foram registrados boletins de ocorrência (BO) relacionados ao caso. "As possíveis vítimas precisam se apresentar para nos dar seus relatos. E, assim, conseguimos tipificar possíveis crimes cometidos e instaurar inquéritos".

Mesmo assim, Santos afirma que já encaminhou para o setor de investigação da delegacia uma imagem do banner exposto no câmpus da universidade, na última sexta-feira (1), que continha capturas de tela de supostas mensagens enviadas por Bulhões a alunas, demonstrando o desejo de ter relações sexuais com elas. "Por meio destes 'prints' e também pelos relatos das redes sociais, vamos tentar chegar até as possíveis vítimas", detalha.

RELATOS E PROTESTOS

Conforme o JC noticiou, foi justamente por causa deste banner que as denúncias ganharam repercussão. Nas redes sociais, várias possíveis vítimas publicaram relatos ou afirmaram conhecer outras estudantes que teriam sido assediadas pelo professor, dizendo que este comportamento se repete há vários anos.

Ainda na sexta, à noite, houve uma manifestação perto da sala 71, na Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (Faac), onde Bulhões lecionaria para alunos de Relações Públicas, e outros cartazes de protesto foram colados na parede.

Com os atos, os alunos cobram providências por parte da Unesp, como a destituição do docente. Os graduandos até criaram um abaixo-assinado online a favor da exoneração que, às 21h de ontem, tinha 7.361 assinaturas.

A pauta chamou a atenção da deputada estadual Isa Penna (PSOL), titular na Comissão de Mulheres da Alesp, e da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL). Esta última informou ter levado à Comissão da Mulher e à Comissão de Educação da Câmara, em Brasília, as denúncias de assédio em Bauru. "Também oficiei a diretoria do câmpus cobrando soluções", escreveu.

Sindicância, que poderá afastar o docente, começa na Unesp

Foi instaurada, nesta segunda-feira (4), uma sindicância administrativa na Unesp para análise e identificação de responsabilidades de Marcelo Bulhões. A comissão investigará o conteúdo das denúncias e tem a prerrogativa de decidir por já afastar ou não o professor da Faac. Segundo a assessoria de imprensa da universidade, até ontem, ele seguia lecionando.

O prazo para conclusão da sindicância é de 60 dias, prorrogável por igual período, mediante justificativa fundamentada.

A reportagem também questionou o total de reclamações protocoladas contra Bulhões desde 2017 e a natureza de cada denúncia, mas não obteve resposta da Unesp.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o professor é alvo de investigação interna. Ele já havia sido denunciado por assédio em 2018, porém, a comissão sindicante indicou o arquivamento dos autos.

CALÚNIA

Procurado pela reportagem nesta segunda, Bulhões reafirmou seu posicionamento inicial, dizendo que os "cartazes foram anonimamente forjados e afixados no câmpus" e que está sendo vítima de calúnia.

Na mesma nota, o docente relembrou que, em 2019, foi acusado de assédio em uma postagem no Facebook e que este caso foi investigado pela Faac, porém, terminou arquivado "por afiançar que nenhuma ação do teor de assédio" foi cometida por ele.

Bulhões complementa que é docente da Unesp desde 1994 e que já atuou ao lado de milhares de alunos, "sem que qualquer mínimo indício concreto do que se pode ser classificado como assédio possa ser apontado".

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