Bauru

Polícia

Ação contra grupos que 'subtraíram' bens do narcotráfico tem alvos locais

MP, por meio do Gaeco, cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro residências de Bauru nesta quinta-feira

por Larissa Bastos

05/08/2022 - 05h00

Ministério Público/Divulgação

Agentes vasculharam 4 residências suspeitas na cidade

O Ministério Público (MP) de Bauru, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu, na manhã desta quinta-feira (4), mandados de busca e apreensão em quatro residências bauruenses, pertencentes a três pessoas investigadas na Operação Fauda, do Gaeco de Londrina (PR). A ação visa desarticular organizações que, com documentos falsos e outras estratégias fraudulentas, se apropriaram de bens ilícitos de um casal de narcotraficantes desaparecido.

Os grupos criminosos são investigados pelo MP por lavagem de dinheiro, extorsão, estelionato, falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa.

Nos quatro endereços de Bauru, sendo um no Mary Dota e os outros na região do Jardim Bela Vista, foram apreendidos dezenas de documentos e cartões de crédito, suspeitos de serem usados para a prática de estelionato e falsificação.

O Gaeco contou com apoio da Polícia Militar (PM), por meio do 13.º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Ninguém foi preso na cidade e os nomes dos investigados não foram divulgados pelo Ministério Público.

Ontem, ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em cidades dos Estados de São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

INVESTIGAÇÃO

De acordo com o MP, as investigações da Operação Fauda (expressão árabe que significa "caos") começaram em maio de 2021, em Londrina, quando uma mulher foi presa em flagrante por usar documento falso, passando-se pela esposa de um narcotraficante, condenado em 2007. Ela estava em um cartório de notas do município, tentando transferir imóvel residencial de alto padrão pertencente a este criminoso.

A partir disso, as apurações apontaram a existência de uma associação criminosa em Arapongas (PR), voltada para a falsificação de documentos para registrar procurações e escrituras públicas. A finalidade era se apropriar de bens de origem ilícita, como imóveis, veículos e valores em conta bancária, pertencentes a um casal investigado por narcotráfico pela Polícia Federal (PF).

Segundo o MP, este casal está desaparecido desde o início de 2018, após o registro de uma disputa com um grupo rival também formado por narcotraficantes. Há a suspeita de que a dupla tenha sido assassinada.

R$ 4 MILHÕES

Ainda de acordo com a investigação, estima-se que os valores auferidos pelos investigados com as fraudes em questão - e também mediante grave ameaça de parentes para a assinatura de documentos -, envolvendo apenas os imóveis do casal desaparecido, sejam de, no mínimo, R$ 4 milhões, além de quantias eventualmente apropriadas de contas bancárias e outros bens móveis.

A Operação Fauda busca a recuperação desses ativos de origem ilícita e sua destinação conforme a legislação em vigor.

 

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