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Política

Rodrigo contará com 13 vereadores

Prefeito amplia sua base; nove parlamentares se reelegem e, de novo, Legislativo bauruense terá apenas uma mulher

por Vinicius Lousada

08/10/2012 - 03h00

 

A vantagem de Rodrigo Agostinho (PMDB) nas urnas se refletiu na composição da nova Câmara Municipal. Dos 17 vereadores eleitos, 13 são de partidos da coligação do prefeito reeleito. Atualmente, são 9. Em princípio, as siglas de oposição serão PSDB e PV, que conquistaram duas cadeiras cada. O DEM, de Chiara Ranieri, não elegeu parlamentares para a legislatura de 2013 a 2016.

 

O candidato mais votado, Fábio Manfrinato (PR), quebrou o recorde histórico de Amarildo de Oliveira (sem partido), em 2008. O apresentador de TV recebeu 6.384 votos na ocasião. Já Manfrinato recebeu a confiança de 7.939 eleitores. (Leia abaixo entrevista com o parlamentar eleito).

 

Outros dois vereadores que conseguiram a reeleição superaram a marca de Amarildo. O atual presidente da Câmara, Roberval Sakai (PP) teve 6.967 votos. Da mesma coligação, Fabiano Mariano (PDT) recebeu 6.641.

 

Os dois estão entre os nove parlamentares que estão na atual legislatura e permanecem na Câmara em 2013. Além deles, estão na lista: Renato Purini (PMDB), Roque Ferreira (PT), Moisés Rossi (PPS), Natalino da Pousada (PV), Carlinhos do PS (PP), Fernando Mantovani (PSDB) e Paulo Eduardo de Souza (PSB).

 

A eleição proporcional repetiu, mais uma vez, o índice histórico de mudança em torno dos 50%. A exceção se deu justamente em 2008, quando apenas três vereadores eleitos em 2004 permaneceram no Legislativo.

 

Mantovani e Natalino foram os únicos reeleitos entre o grupo da oposição. Tanto o tucano quanto o verde, porém, em diversas ocasiões foram acusados por colegas de estarem alinhados a Rodrigo. O vereador do PSDB, porém, afirma que vai exercer o papel de opositor, mas priorizando o diálogo junto ao Executivo. “Esta sempre foi a minha postura e a reeleição me mostra que estou no caminho certo”.

 

Apesar de filiado ao partido que ocupa o posto de vice de Agostinho, Roque, ao longo dos quatro anos, se posicionou de forma contrária à administração. O petista, inclusive, foi apontado como um dos mobilizadores da primeira paralisação dos motoristas do transporte público.

 

Purini se consolidou como líder do governo na Câmara. Já Moisés Rossi fazia oposição ao prefeito, até seu partido, às vésperas do período eleitoral, se alinhar ao grupo de Rodrigo, o que motivou a saída de Amarildo de Oliveira da sigla.

 

Carlinhos do PS permanece no Legislativo após um primeiro mandato com pouca exposição e Paulo Eduardo de Souza, o menos votado entre os eleitos, foi beneficiado pela coligação de seu partido junto com o PMDB de Rodrigo.

 

Eles já estiveram por lá

 

Apesar não estarem na atual composição da Câmara Municipal, alguns vereadores eleitores já estiveram por lá. Suplente do DEM na eleição de 2008, o recordista de votos, Fábio Manfrinato (PR), assumiu o cargo por quase quatro meses, durante a licença maternidade de Chiara Ranieri (DEM).

 

Carlão do Gás (PR) também foi vereador durante quase dois anos. Ele é o atual suplente de José Carlos de Souza Batata (PT) que, em 2009, assumiu a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel).

 

Ligado ao movimento esportivo, Faria Neto (PMDB) foi vereador na administração de Tidei de Lima. Ele também esteve na Câmara durante parte do governo Tuga Angerami, pois era suplente de Clemente Rezende, que, à época, se afastou do cargo para assumir a presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Antes da eleição, ocupada cargo de assessor da Companhia Habitacional de Bauru (Cohab).

 

Arildo Lima Júnior (PSDB), que veio do Corpo de Bombeiros, exerceu mandato de parlamentar entre 2005 e 2008.

 

 

Telma, Raul, Markinho e Sandro: ‘caçulas’

 

São quatro os eleitos que vão estrear na Câmara Municipal em 2013. Única mulher eleita, Telma Gobbi (PMDB) é médica e, em sua primeira candidatura, foi a sexta mais votada no município. 

 

Outro médico que conquistou sua cadeira no Legislativo foi Raul Gonçalves de Paula (PV). Em 2010, ele recebeu 16 mil votos quando concorreu ao cargo de deputado federal, mas essa foi sua primeira disputa a vereador.

 

Markinho da Diversidade (PMDB) trabalhou seu nome, incialmente, junto ao movimento LGBT. 

 

No entanto, ampliou a sua atuação a trabalhos de cunho social junto a bairros como o Mary Dota e o Jardim Niceia.

 

Sandro Bussola (PT), que foi assessor de José Carlos de Souza Batata (PT), ficou com a segunda vaga de seu partido. 

 

Após atuar, durante anos, na articulação dos bastidores do PT, ele concorreu à eleição pela primeira vez em 2012, contando com amplo apoio de igrejas evangélicas, como a Aprisco das Ovelhas.

 

Aguardam recurso

 

Quatro candidatos a vereador não tiveram seus votos contabilizados. Eles tiveram suas candidaturas indeferidas, mas estavam nas urnas, pois aguardam avaliação de recursos a seus processos, que podem chegar até ao Supremo Tribunal Federal (STF). Estão nesta situação: José Leme (PR), Nilton Cesar (PT), Natanael Enfermeiro (PC do B) e Vanderlei Tomiati (PTB).

 

Caso os candidatos revertam o indeferimento à candidatura, o quociente eleitoral precisa ser recalculado, o que pode alterar a configuração da Câmara Municipal montada ontem. 

 

Ficaram de fora 

 

Quatro vereadores que tentaram a reeleição ficaram de fora da próxima Câmara Municipal. Dois deles, inclusive, são veteranos no parlamento municipal: José Carlos de Souza Batata (PT), após cinco mandatos, perdeu sua vaga para o ex-assessor Sandro Bussola. O petista recebeu 2.679 votos e ficou na 14ª colocação no quadro geral.

 

O pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB) teve 2.989, mas seu partido não conquistou uma cadeira sequer por não ter atingido o quociente eleitoral, que foi de 10.670 votos. Este é o número mínimo de votos que uma sigla ou coligação precisa obter para eleger um vereador.

 

O PTB, aliás, foi a única legenda que não fez alianças para a disputa proporcional e conquistou 10.428 eleitores.

 

José Roberto Segalla (DEM) e Gilberto dos Santos (PSDB) não conseguiram a reeleição depois do primeiro mandato. O primeiro se destacou como um dos principais oposicionistas a Rodrigo Agostinho (PMDB), mas recebeu 1.859 votos, quantidade inferior à de 2008. Giba teve 1.235.

 

Marcelo Borges (PSDB) e Amarildo de Oliveira (sem partido) não concorreram este ano. Chiara Ranieri (DEM) tentou a prefeitura.

 

Por pouco

 

O sistema proporcional faz com que nem sempre os candidatos a vereador mais votados sejam eleitos. Muitos dos que ficaram de fora teriam chances de assumir uma cadeira da Câmara Municipal se estivessem em outro partido. Paulo Eduardo de Souza foi o que teve o pior desempenho entre os eleitos, com 1.777.

 

Sem se elegerem, mas numericamente a frente dele, estiveram: Luiz Carlos Barbosa (PTB), com 2.989;  José Carlos de Souza Batata (PT), com 2.679; Cláudio da Construção (PT), com 2.152; Celina Nascimento (PSC), com 2.140; Maria Helena Catini (PTB), com 2.094; José Roberto Segalla (DEM), com 1.859; e Paulo Eduardo Martins (PSDB), empatado com Souza.

 

Recordista de votos, Manfrinato descarta mandato monotemático

 

Após o recorde histórico de 7.939 votos para vereador, o candidato mais votado de Bauru, Fábio Manfrinato (PR) comemorou a vitória com um churrasco junto à família. Deficiente físico e pentacampeão mundial na modalidade luta de braço, diz que imaginava até 5 mil votos. “Não estou acreditando”, dizia esfuziante.

 

O vereador eleito construiu seu nome a partir da bandeira da luta pelos portadores de deficiência física, mas diz que seu mandato não vai se focar apenas nesta questão. 

 

]“Eu vou carregar isso comigo para sempre, mas a cidade depende de discussões sobre outros temas muito importantes também. É claro que a Saúde, uma das principais demandas, merece atenção, mas dou muita importância para a Educação. Ela deve ser prioridade no mundo inteiro”. Agora na coligação de Rodrigo Agostinho (PMDB), em 2008, Manfrinato recebeu 2.430 votos e foi suplente do DEM. Chegou a assumir o cargo de vereador por quase quatro meses, em 2009, durante a licença-maternidade da candidata a prefeita derrotada, Chiara Ranieri (DEM). 

 

Fábio se filiou ao PR após assumir um cargo comissionado na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), desempenhando a função de assessor de Acessibilidade.

 

Segundo Manfrinato, seus quase 8 mil votos são reconhecimento de “árduo trabalho”, desenvolvido ao longo dos últimos anos. “Apresentamos resultados, como a conquista da Praça Paradesportiva”, comentou.

 

O mais votado disse ainda que, apesar de compor a base de apoio ao governo municipal, não vai deixar de exercer seu papel de fiscalizador. “Quero estar junto com o Rodrigo, que fez uma administração extraordinária, que foi reconhecida pela população nas urnas. Mas vamos discutir os assuntos da cidade com a seriedade que Bauru merece”.

 

 

Eleita e única

 

Única mulher eleita na nova Câmara Municipal, a médica Telma Gobbi (PMDB) diz encarar a condição com senso de muita responsabilidade. Ela foi a sexta mais votada da cidade. As duas últimas legislaturas também tiveram apenas uma mulher: Majô Jandreice (PC do B), eleita em 2004; e Chiara Ranieri (DEM), em 2008.

 

“O eleitorado é formado por 53% de mulheres. Mas, agora, como vereadora eleita, tenho que legislar para todos, pensando na cidade de Bauru”, comentou.

 

Do partido do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e parte da bancada de 13 parlamentares governistas, ela diz que os projetos devem ser votados, independentemente da coloração partidárias. “Se tiver algum tipo de situação de discordância, vamos resolver com o diálogo”.

 

Telma diz que sua experiência na área da Saúde vai ajudá-la a apontar soluções para os problemas locais. “Esse é um setor onde há deficiências no mundo inteiro e é um dos principais pontos que merecem nossa atenção na cidade. Tivemos também uma crise com a falta de água, mas parece que já está sendo bem encaminhada”, opinou.