Bauru e grande região

Política

Soluções para avenida Nações Unidas não agradam

Empresa propôs 6 alternativas para combater as enchentes, mas prefeitura esperava proposta com abertura do canal do Córrego das Flores

por Vinicius Lousada

27/04/2016 - 07h00

Samantha Ciuffa
Júlio Canholi, engenheiro da Hidrostudio, apresentou várias alternativas para o histórico problema, nessa terça-feira (26), na Assenag

Com custos estimados que variam de R$ 165 milhões a R$ 237 milhões, seis alternativas de engenharia para dar fim às crônicas inundações na avenida Nações Unidas foram apresentadas nessa terça-feira (26), em audiência pública chamada pela Prefeitura de Bauru. A saída, contudo, passa longe de consensos.

A administração busca discutir junto à sociedade qual é o melhor dos modelos propostos pela empresa Hidrostudio, que desenvolverá o projeto para a futura obra a partir da escolha.

Apesar do considerável número de opções, participantes da reunião e membros do primeiro escalão do governo não saíram satisfeitos com as soluções propostas e cobraram o estudo de uma alternativa para a abertura do canal do córrego Água das Flores, que corre por baixo do leito carroçável da avenida.

MAIS GALERIAS

Com a urbanização de todo o entorno da Nações Unidas e a consequente impermeabilização do solo da bacia hidrográfica, a dimensão dos canais que contêm as águas das chuvas tornou-se insuficiente ao longo do tempo. A primeira e mais cara das alternativas elencadas pela Hidrostudio consiste no reforço dessa tubulação, com a instalação de novas galerias convencionais do trecho entre a rua Ibrahim Nobre até o Vitória Régia e de túneis entre o parque até o entroncamento da avenida com a Marechal Rondon. Custo: R$ 237 milhões.

Esses túneis seriam abertos pelo método não destrutivo. Ele dispensa a abertura do asfalto, mas é sujeito a interferências desconhecidas no subsolo, que podem alterar ou atrasar as obras.

O maior problema do modelo, porém, é que toda a água que enche a Nações Unidas hoje seria deslocada para o rio Bauru, aumentando significativamente as chances de inundações na Nuno de Assis.

PISCINÕES

A segunda alternativa – orçada em R$ 171 milhões – prevê a construção de dois grandes reservatórios, conhecidos como piscinões, em detrimento do reforço das galerias pluviais. A proposta contempla um piscinão com capacidade de 110 mil metros cúbicos, onde fica o atual playground do Vitória Régia e outro de 20 mil metros cúbicos na Praça do Líbano, no cruzamento entre a Nações e a Rodrigues Alves.

Esses reservatórios receberiam a água das chuvas e, posteriormente, a liberariam de volta à atual rede pluvial de forma gradativa, evitando, assim, as inundações. O estudo prevê que, após a construção desses piscinões, as praças seriam recuperadas.

Combinação

Já as outras quatro alternativas resultam da combinação do reforço das canalizações com obras de reservação. O custo dessas propostas varia de R$ 165 milhões a R$ 185 milhões.

Dentre todas, a que pareceu mais aceita na reunião dessa terça (26) consiste no reforço das galerias convencionais entre os cruzamentos com a Ibrahim Nobre e a Rodrigues Alves e dois piscinões de 65 mil metros cúbicos, uma no Vitória Régia e outra na Praça do Líbano. Outras duas apresentam poucas variações em relação a esta, mas exigem os túneis construídos por métodos não destrutivos, que incorrem em inseguranças para a obra.

A última, porém, prevê o reforço de galerias simples, além de quatro piscinões: um no Vitória Régia (45 mil metros cúbicos); um na Praça do Líbano (30 mil m³); um na Praça Salim Haddad, atrás do Habib’s (30 mil m³); e um sob área pública localizada entre a Alameda Octávio Pinheiro Brisolla e a rua Sílvio Marchione (20 mil m³).

Secretário pedirá novo estudo

Assim que o engenheiro da Hidrostudio Júlio Canholi encerrou as explanações sobre as propostas para combater as enchentes da Nações Unidas, vários presentes questionaram a ausência de propostas que contemplassem a abertura do Córrego das Flores, que passa por baixo da avenida.

Dentre as reclamantes, estava a secretária municipal do Meio Ambiente, Lázara Gazzetta. “Era a chance, inclusive, de recuperarmos um pouco da mata ciliar ao redor do córrego. Além disso, como ficaria a arborização das praças onde foram projetados os piscinões? Mesmo que seja feita a posterior recuperação, quanto tempo demora para uma árvore crescer e cumprir sua função ambiental?”, questionou.

Titular da Obras, Sidnei Rodrigues reiterou as colocações da colega, ao admitir que não se entusiasmou com nenhuma das seis alternativas apresentadas, já que também esperava uma proposta de abertura do córrego.

Questionado sobre o assunto, Júlio Canholi explicou à reportagem que a equipe da empresa não levou adiante um estudo com essa possibilidade porque nos pontos onde a avenida de grande fluxo é mais estreita a intervenção desejada pelos secretários dariam fim a todas as faixas da pista. “A cidade estaria disposta a pagar este preço?”.

  

PEDIDO

Diante da discussão, Rodrigues afirmou que solicitará formalmente a elaboração de uma proposta com a abertura do canal do córrego pelo menos em parte da Nações Unidas. Segundo ele, o contrato com a Hidrostudio, de R$ 290 mil, permite que a administração exige esse novo estudo.

VIABILIDADE

Após essa primeira reunião, na qual os participantes se dividiram em grupos para apresentar sugestões à prefeitura e à empresa, os dados serão tabulados e uma nova reunião pública será chamada para discutir as propostas.

O projeto final, de acordo com o secretário de Obras, pode ficar pronto até o final do ano, mas a busca por recursos junto à União ou ao Estado para viabilizar as obras caberá ao sucessor ou sucessora de Rodrigo Agostinho na Prefeitura de Bauru.