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Política

Purini ganha prévia e é pré-candidato a prefeito pelo PMDB

O vereador derrotou a ex-secretária Darlene Tendolo, apoiada por Rodrigo Agostinho

por Vinicius Lousada

04/06/2016 - 13h30

Aceituno Junior
Renato Purini, vereador e presidente do PMDB

Por iniciativa de Renato Purini, o prefeito Rodrigo Agostinho, Darlene Tendolo e ele até se reuniram, na manhã deste sábado (4), na vã tentativa de evitarem a votação da prévia. Sem acordo, coube aos filiados a definição sobre a pré-candidatura do PMDB ao Palácio das Cerejeiras para as eleições deste ano. Dos 113 militantes que participaram da pré-convenção do partido, 87 optaram pelo vereador e 24 escolheram Darlene. Houve ainda duas cédulas em branco.

O ato não foi tranquilo e a Polícia Militar chegou a ser acionada (leia mais abaixo). Isso porque 14 pessoas que se diziam membros da agremiação no município não constavam na lista dos cerca de 1.700 aptos a participar do pleito. Esses votos, depositados em urna separada, não foram contabilizados, mas também não seriam suficientes para alterar o resultado da prévia. 

Agora oficialmente pré-candidato pelo PMDB,  Purini disse que dará início, já na segunda-feira, ao diálogo com outros partidos políticos a fim de se viabilizar. O presidente da legenda fez questão de elencar o PSDB na lista de legendas com as quais negociará e tergiversou quando questionado se há possibilidade de não disputar, efetivamente, a eleição para a sucessão de Rodrigo Agostinho. A aproximação de Renato com o prefeitável tucano, Lima Júnior, gerou, nas últimas semanas, uma série de rumores de que a intenção do vereador é se lançar a vice do colega de Câmara Municipal, abrindo mão da cabeça de chapa para o partido que preside e ao qual está filiado o atual prefeito de Bauru.

Em seu discurso durante a pré-convenção, neste sábado, Darlene Tendolo atacou a virtual aliança com o PSDB, principal sigla de oposição ao governo Rodrigo Agostinho. “Não dá para subir no mesmo palanque com quem bateu na gente por sete anos, que nos acusou de sermos malfeitores”.

‘Suplente’

Mesmo após a derrota na prévia, a ex-secretária do Bem-Estar Social, em entrevista, cogitou a possibilidade de se candidatar à prefeitura em caso de desistência de Renato. “Fico de suplente”.
Por esse motivo, ela não retornará ao cargo que ocupava desde o primeiro dia da gestão Rodrigo Agostinho, do qual se descompatibilizou no dia 1 de junho, em cumprimento à exigência da legislação eleitoral.

“Vou fazer política. Ainda tenho muito o que conversar com o Renato”, diz ela, que não descarta até trabalhar pelo lançamento de uma “chapa pura” peemedebista para o pleito deste ano.

Derrota do prefeito

Junto com Darlene, o prefeito também saiu como derrotado da pré-convenção peemedebista. Ele apoiava Tendolo e reiterou sua preferência em discurso neste sábado, enquanto ocupava a tribuna da Câmara Municipal.

“Ela andou comigo quando ninguém acreditava que eu me elegeria prefeito e fez uma revolução na assistência social em Bauru”, declarou Agostinho.
Após a apuração dos votos, ele atribuiu a derrota à pouca vivência partidária de sua ex-secretária.

Olhares distintos

A confissão do sonho de assumir a Prefeitura de Bauru foi o aspecto em comum dos discursos de Darlene Tendolo e Renato Purini na pré-convenção de ontem. Chamou a atenção, porém, o enfoque distinto dado pelos concorrentes em suas visões de cidade.

Enquanto a ex-secretária do Bem-Estar Social destacou a pobreza de mais de 119 mil pessoas, que vivem com menos de R$ 140,00 por mês no município, e a necessidade de impulsionar os serviços públicos gratuitos de qualidade, o parlamentar enfatizou a importância de incentivar os investimentos privados e a emancipação da população, citando o desejo de muitas pessoas de não mais depender da assistência de programas sociais como o Bolsa Família.

Durante sua fala, Renato também dedicou tempo considerável aos agradecimentos ao pai, o ex-deputado Roberto Purini.

Acirramento promoveu ‘convenção à moda antiga’ com gritos e confusão

Gritos e acusações também marcaram a pré-convenção do PMDB. 14 pessoas que se identificavam como filiados à legenda não tiveram os votos contabilizados porque não constavam na lista de, aproximadamente, 1.700 militantes aptos a participar efetivamente da prévia. 

Ex-vereador e presidente do partido em Bauru por três ocasiões, Alex Gasparini foi um dos “barrados” e, indignado, subiu à tribuna para acusar Renato Purini de ter formalizado sua desfiliação de forma arbitrária e unilateral.

O microfone foi cortado, já que a palavra foi aberta apenas a autoridades, mas o antigo militante peemedebista continuou falando e batendo boca com o mestre de cerimônias do evento.

A atitude gerou reações de militantes pró-Renato, especialmente de seu pai, Roberto Purini. O ex-deputado chegou a tentar arrancar Alex da tribuna. O aclamado pré-candidato também reagiu, chamando seu opositor de mentiroso.

Já com os ânimos controlados, Gasparini chamou a Polícia Militar e registrou queixa para preservação de direitos e por calúnia e difamação.

Desdobramentos

O episódio foi comentado por Darlene Tendolo. Ela disse ser do tempo em que, “na política”, todos tinham direito a voz. A ex-secretária sugeriu ainda motivações “sobrenaturais” para a ausência de alguns de seus apoiadores na lista de votantes.

Pessoas ligadas a ela, já no fim da pré-convenção, cogitavam impugnar os atos partidários deste sábado.

Secretário-geral do partido, Amaury Roma garante que não houve qualquer irregularidade. “Quem não está na lista é porque, por alguma razão, não está legalmente filiado”.