Bauru e grande região

Política

'Mulher não deve ser só cota na política'

Pré-candidata a deputada federal pelo PTB, Marlene Campos Machado esteve em Bauru nesta sexta e falou sobre a participação feminina efetiva

por Cinthia Milanez

01/07/2018 - 07h00

Malavolta Jr.
Marlene Campos Machado, pré-candidata a deputada, é bacharel em Direito e empresária

Dirigente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Mulher, a advogada, empresária e pré-candidata a deputada federal Marlene Campos Machado defende que a participação da mulher, na política, deve ser mais efetiva, em vez de se limitar apenas a cotas partidárias. Nesta sexta-feira, ela esteve em Bauru e, em visita ao Café com Política, do JC, falou sobre o assunto.

Segundo Marlene, o PTB Mulher é o maior movimento feminino do Brasil, com 550 mil integrantes, que desenvolvem ações sociais e têm diferentes perfis - desde donas de casa, passando por profissionais liberais, até empresárias.

"Promovemos, também, diversos debates para incentivar a participação da mulher na política. Nosso partido não quer que a mulher seja só cota, mas que tenha vida partidária, ou seja, uma participação efetiva", argumenta.

Ainda de acordo com a pré-candidata, a legenda busca mulheres que estejam envolvidas com o que está acontecendo no cenário político e saibam quais são as dificuldades, bem como as reivindicações, da sociedade como um todo.

"Hoje, a mulher está em todos os cenários e temos de estar engajadas nesta luta para que haja, de fato, uma transformação na política. Somos menos de 10% no Executivo e Legislativo brasileiros e buscamos maior participação", revela.

Com o intuito de conquistar este espaço, Marlene garante que a mulher não precisa agir como homem, mas sim, ter coragem para enfrentar os veteranos da política. "Fui candidata ao Senado, em 2014, por São Paulo, e obtive quase 400 mil votos. Também me candidatei a vice-prefeita de São Paulo, em 2016. Foi uma experiência e tanto", acrescenta.

A pré-candidata diz, ainda, que quem ganha com a mulher na política é a sociedade, porque o público feminino é a base da família e esta é a base da sociedade. "Afinal, 40% das mulheres, hoje, são chefes de família", justifica.

REPRESENTATIVIDADE

Marlene também é diretora executiva do Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI), que produz estudos, palestras e eventos voltados à participação da mulher na política.

Inclusive, em março deste ano, a instituição lançou o Ranking de Presença Feminina no Executivo 2018, por onde constatou que, nos 39 municípios da região de Bauru, houve apenas oito candidatas à prefeitura e 75% delas não conseguiram se eleger.

"Esta região é a que menos tem mulheres no Poder Executivo, se levarmos em consideração todo o Estado de São Paulo. Creio que seja uma questão cultural mesmo. A solução está em ampliar o debate e dar voz a elas", comenta.

Além disso, a pré-candidata afirma que a determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê que os recursos das campanhas políticas femininas só poderão ser usados por elas ou no interesse delas - em dobradinha com outro candidato, por exemplo -, seja outra forma de incentivar a participação da mulher na política.

De acordo com outros dados divulgados pelo PMI, o Brasil ocupa a 115.ª posição no ranking do Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI), no que diz respeito à presença feminina no Parlamento, analisando informações de 1990 a 2017. E pior: perde para países, como Bolívia e Cuba.

"Depois das cotas, tivemos muito mais mulheres participando, mas não se elegendo. Hoje, brigamos pelas cadeiras", finaliza.