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Política

Negociação salarial começa em meio à indefinição sobre vale-transporte

Sinserm e Prefeitura de Bauru fazem hoje a primeira reunião para discutir o reajuste da categoria e diversos pontos devem entrar na pauta

por Thiago Navarro

17/01/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa/JC Imagens
O secretário de Administração David José Françoso participar do encontro nesta manhã

A Prefeitura de Bauru antecipou o período de negociação salarial com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm). A data-base da categoria é em março e, além da prefeitura, a negociação vale para o DAE, Emdurb e Funprev. Os secretários municipais de Administração, David Françoso, e de Finanças, Everson Demarchi, vão participar do encontro nesta manhã. Desta vez, outros temas, além dos salários, devem ser cobrados pelo Sinserm, que já se adiantou com posições contrárias a propostas do governo.

Pontos como o desconto do vale-transporte, a possibilidade de mudanças no convênio médico e a revisão dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) são apontados como delicados neste momento. A categoria ainda tem a preocupação de como ficará a gestão da UPA do Jardim Bela Vista com uma Organização Social (OS) e com a terceirização de serviços como o tapa-buraco e o risco de também terceirizar a Emdurb e o DAE.

Esses últimos assuntos sobre terceirizações estão fora da pauta do dia. "A reunião é para tratar de salários e benefícios. Mostrar o que a gente pode avançar e o que já foi feito nesses últimos dois anos. Temos um bom relacionamento com o sindicato e a prefeitura tem procurado avançar em vários aspectos reivindicados. Agora, algumas questões fora do aspecto de salários a gente não vai entrar na discussão, pois dependem da parte política", afirma Françoso. "A ideia é abrir um diálogo e mostrar o que é possível fazer", completa.

PREOCUPAÇÃO

Diretor do Sinserm, Moisés Cristo afirma que a categoria chega para negociar com muitas preocupações além do salário. "O governo está propondo uma série de mudanças, o que inclui terceirizações, algo que o sindicato considera uma precarização do serviço público, além de não valorizar o servidor", afirma.

O projeto de lei encaminhado por Clodoaldo Gazzetta (PSD) para a Câmara, na semana passada, com o desconto de 4% do salário aos servidores que optarem em ter o vale-transporte, é repudiado. "A gente é contra, porque vai penalizar aqueles que ganham menos. Hoje, o benefício é dado a quem recebe até R$ 2.300,00, sem desconto. O sindicato é a favor de ampliar o benefício, desde que não haja prejuízo aos trabalhadores. A maioria que usa o vale-transporte é quem recebe menos e cobrar sobre o salário prejudica diretamente esses funcionários. Da maneira como foi proposto, a gente é contra", frisa. No projeto, o governo diz que o gasto anual é de mais de R$ 2 milhões com o subsídio do vale, e que, para ampliar o benefício, terá que dividir a despesa, com o desconto na folha.

O contrato atual do convênio médico acaba em julho e um estudo de revisão dos PCCS está sendo concluído. Os dois pontos devem gerar conflito. "A gente não sabe o que vai acontecer com o convênio e nem com o PCCS. Além disso, temos que discutir a reposição de perdas dos últimos anos", destaca Moisés.

Por outro lado, David Françoso lembra que a prefeitura tem um limite para oferecer. "Alguns pontos geram mais polêmica, como o vale-transporte e o plano de saúde. São algumas mudanças que precisam acontecer para ampliar o benefício, mas isso obriga a reconsiderar o que é feito atualmente", lembra.

Falta de remédios é denunciada

Nessa quarta (16), o Sinserm fez uma denúncia de falta de alguns medicamentos em UPAs, como Dramin e Bromoprida. A entidade também afirma que cadeiras de rodas foram remendadas e vários aparelhos de ar-condicionado estão quebrados. Secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin afirma que, de fato, houve atraso na entrega de remédios, mas que os médicos prescreveram medicamentos análogos e que nenhum paciente ficou sem atendimento.

Ele destaca ainda que a pasta tem investido na manutenção das unidades e que autorizou a compra dos medicamentos em que houve atraso de entrega pelos laboratórios nos últimos meses, para suprir a demanda atual.