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Política

MP vai abrir inquérito para apurar problemas em hospitais

Secretário de Saúde de Bauru e de outras três cidades se reuniram com promotor por conta de aparelhos quebrados

por Thiago Navarro

14/05/2019 - 07h00

Malavolta Jr./JC Imagens
O promotor Enílson Komono aguarda os documentos com detalhamento sobre os problemas

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) irá abrir inquérito civil para apurar os problemas dos hospitais administrados pelo Estado em Bauru e na região. O pedido de secretários municipais de Saúde foi apresentado ontem ao promotor Enílson Komono, que confirma a abertura do procedimento. O inquérito será iniciado após a entrega de documentos por parte dos secretários, com mais detalhes a respeito dos principais problemas em equipamentos usados em exames e tratamentos de saúde, como o que culminou com o fim da hemodinâmica no Hospital de Base (HB). O Estado afirma que faz a manutenção.

A reunião com o promotor foi realizada nessa segunda-feira (13) à tarde, no MP de Bauru. De acordo com Komono, a situação teria se agravado nos últimos anos, o que levou os secretários a procurarem ajuda do Ministério Público.

"O pedido dos gestores foi feito após várias tentativas com o Estado, por conta de problemas em aparelhos, o que estaria comprometendo o atendimento da população em algumas áreas. Estou pedindo a eles que encaminhem ao MP cópias dos documentos e também o detalhamento da situação dos equipamentos, pois já constatamos problemas em visitas a hospitais da região, mas, agora, os secretários podem informar, de maneira mais precisa, o que realmente está faltando, os equipamentos que estão com problema, há quanto tempo precisam de manutenção, entre outros. Assim que eles entrarem formalmente com a representação, já abriremos o inquérito civil para apurar", cita Komono.

ACORDO

Ainda de acordo com o promotor, a ideia é evitar que o caso chegue a uma ação civil pública, com o Estado podendo resolver antes. "Assim que o inquérito for aberto, chamaremos o Estado para buscar uma solução sem a necessidade de se chegar a uma ação, pois, quando o caso é judicializado, acaba demorando mais para resolver. E o que estamos buscando é uma solução rápida, pois estamos falando de vidas, de pessoas que precisam de atenção na saúde. Agora, se, mesmo assim, não resolver, aí temos que entrar com ação e esperar a decisão da Justiça no final", afirma.

Os secretários devem encaminhar ao MP dados sobre os aparelhos dos hospitais do Estado onde os municípios identificam problemas e também a fila de espera.

APARELHOS

Na reunião dessa segunda (13), estavam presentes os secretários de Saúde de Bauru, José Eduardo Fogolin; de Lençóis Paulista, Ricardo Conti; de Pederneiras, Pedro Luiz Pereira; e de Arealva, Sandra de Fátima Menegueti. "Porém, vários outros secretários estão enfrentando os mesmos problemas apresentados nas reuniões mensais que os titulares da região fazem. Os equipamentos estão sucateados. Agora, tivemos a questão da hemodinâmica do Hospital de Base, mas outros aparelhos já apresentaram problemas, como o de endoscopia e colonoscopia, que não estão funcionando. Ainda tivemos dificuldades com a tomografia e a ressonância, que voltaram a funcionar. Estamos mostrando esse problema ao Estado há dois anos, pelo menos, e não há solução", lembra Fogolin.

ESTADO RESPONDE

O Estado afirma que vem dando manutenção aos equipamentos dos hospitais de Bauru e região. "Todas as unidades estaduais de saúde estaduais realizam manutenção de equipamentos preventivamente, e sempre que necessário as empresas responsáveis são acionadas. Da lista citada pela reportagem, os hospitais SUS da região têm ofertado normalmente os exames de tomografia, ressonância, endoscopia, colonoscopia, bem como procedimentos de hemodinâmica, por meio de análises técnicas do DRS com gestores para garantir a assistência durante o período de substituição do equipamento do HB", disse a Secretaria de Estado da Saúde, em nota emitida pela assessoria de imprensa.

"Além de manter seus próprios equipamentos, o Estado auxilia no atendimento dos munícipes por meio da Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde), sistema que permite às prefeituras agendar exames para os cidadãos, em serviços de referência", completa.