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Atrasada, ETE terá final só em 2021

O DAE apresentou nessa terça (11), em audiência na Câmara Municipal, novo cronograma e dificilmente obra terminará dentro do atual governo Gazzetta

por Thiago Navarro

12/06/2019 - 07h00

Malavolta Jr.
O presidente do DAE, Eliseu Areco Neto, mostrou o cronograma da obra, e ao fundo estavam todos os processo da ETE pedidos pela Câmara Municipal de Bauru há dois meses

Os atrasos na obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa motivaram uma audiência pública, nessa terça-feira (11) à tarde, na Câmara Municipal, chamada pelo vereador Manoel Losila (PDT), e o cronograma atualizado já prevê a entrega apenas em 2021, portanto, já depois do final do atual governo. As obras começaram em 2015 e tinham previsão de conclusão em 2016, e este já é o quarto adiamento da previsão de entrega. O valor total do contrato está em R$ 140 milhões, considerando os R$ 15,6 milhões autorizados em aditivos.

O presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Eliseu Areco Neto, disse que a consultoria contratada para a verificação das estacas nos tanques de aeração e reatores anaeróbios deve apresentar os resultados em dez dias. Esta é a parte mais atrasada da construção. A autarquia ainda precisa contratar uma empresa gerenciadora para a obra e estuda se abrirá licitação ou fará por dispensa de licitação. A definição deve ocorrer até o mês que vem.

Também deve ser contratada uma empresa para o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), que pode ser tanto a mesma empresa gerenciadora, ou a Arcadis, responsável pelo projeto e que retomou as negociações com a prefeitura recentemente. Já a empresa COM Engenharia seguirá na construção. Há questionamentos de vereadores como Sandro Bussola (PDT) e Roger Barude (Cidadania) a respeito da capacidade financeira da empresa para tocar uma obra desse porte. O engenheiro civil Elinton Silva, da prefeitura, e fiscal da obra, admite que a COM Engenharia sempre teve um relacionamento complicado com o município. Areco afirmou que a empresa seguirá. Os vereadores Coronel Meira (PSB) e Telma Gobbi (SD) também fizeram várias perguntas a respeito do andamento das obras da ETE na audiência.

PROJETOS

No começo do ano, foi anunciado pela prefeitura que a Fipai, ligada à USP de São Carlos, desenvolveria os projetos complementares da ETE. Contudo, houve divergência com o método construtivo utilizado atualmente, e a entidade não assumiu os serviços. A prefeitura então retomou contato com a Arcadis, e aguarda a liberação dos primeiros projetos. A avaliação das estacas também pode ajudar a dar mais ritmo aos trabalhos, pois atualmente apenas 20 funcionários estão no canteiro de obras. As estacas estão sendo avaliadas pelo engenheiro Luciano Decourt, especialista no assunto.

Segundo Areco, a definição das estacas é o primeiro passo neste momento. "Vamos aguardar o resultado ainda neste mês e, se for positivo, a Arcadis já poderá dar andamento em projetos nessa parte, e a COM Engenharia teria condições de já retomar frentes de trabalho. Depois, as etapas restantes aconteceriam na sequência. O cronograma que estamos colocando é para um prazo de 18 meses, porém dá para terminar antes. Uma das possibilidades é que a empresa trabalhe em três turnos, até 20 horas diárias, para concluir as obras antes do prazo final", afirma. Neste caso, seria possível acabar a obra ainda em 2020, dentro do governo do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD). Ao JC, o prefeito lembrou que apesar do prazo apertado, quer entregar a ETE ainda em seu governo, até o final do ano que vem.

Como está a obra

A construção da ETE tem os maiores atrasos nos setores de tanques de aeração e reatores anaeróbios. O valor total da obra atualmente é de R$ 140,7 milhões, sendo que R$ 60,1 milhões (42,7%) já foram pagos na obra civil, R$ 12,4 milhões (8,8%) em equipamentos, e faltam ao todo R$ 93 milhões para pagar. A parte civil da obra, que custa R$ 86,1 milhões, já está 69,9% concluída, enquanto a parte de equipamentos, com custo de R$ 54,6 milhões, teve 22,8% pagos até agora.

A verba para a ETE vem em maior parte do governo federal, com R$ 118 milhões a fundo perdido, e o restante é a contrapartida municipal, que vem do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), recolhido mensalmente na conta de água da população. Os R$ 15,6 milhões já aprovados em aditivos também são pagos com a verba do FTE. Desse valor autorizado em aditivos, R$ 4,7 milhões já foram pagos.