Bauru e grande região

Política

Câmara diverge sobre remoção dos sem-teto e critica falta de estrutura

Vereadores consideram que prefeitura deveria dar condições adequadas no acampamento dos moradores do Canaã, além da falta de estrutura do entorno

por Thiago Navarro

18/06/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa
Vereadores Carlão do Gás, Markinho Souza, Chiara Ranieri, Coronel Meira, Manoel Losila, Fábio Manfrinato e Sandro Bussola, na sessão de ontem 

A transferência de 195 família do acampamento Canaã para um lote na região do Parque Primavera, zona noroeste de Bauru, provoca reações críticas na Câmara Municipal. Na semana passada, os vereadores Chiara Ranieri (DEM) e Coronel Meira (PSB) já tinham alertado sobre a situação e ontem Miltinho Sardin (PTB) e Sandro Bussola (PDT) também fizeram críticas, principalmente a respeito da precariedade da área.

Outro ponto citado é a falta de estrutura em educação e saúde daquela região, onde as unidades atuais já estão sobrecarregadas e agora terão que atender mais mil pessoas, e ainda sem saber por quanto tempo ficarão nesta situação.

Para o vereador Miltinho Sardin, a prefeitura apenas colocou as pessoas em um lote sem dar a devida estrutura. "Os moradores foram levados para lá, mas em condições precárias, e aquela região já tem dificuldade para dar o atendimento em saúde e educação para quem mora, e vai receber mais pessoas", disse.

Já o vereador Sandro Bussola lembra que faltam vagas nas escolas e na saúde, e que isso deve provocar uma demanda ainda maior na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista. "Esta UPA já está sobrecarregada, e vai ter que atender mais pessoas, além da falta de vagas em escolas. As crianças precisam estudar, não pode apenas mandar todo mundo para o local sem pensar nas condições de educação e saúde", afirma.

A prefeitura firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no começo do ano passado com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para dar uma solução aos acampamentos de moradores sem-teto. Vários moradores nesta situação que estavam no Distrito Industrial IV foram para o Canaã, onde já estavam outras famílias, em um terreno particular na região do Jardim Marabá e Unesp. O proprietário, contudo, não aceitou receber aluguel do município, e entrou com pedido de reintegração de posse.

O governo do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) encaminhou 195 famílias que se enquadravam em critérios de vulnerabilidade social para a nova área, no Parque Primavera. A mudança começou na semana passada e deve ser concluída até amanhã.

ESTRUTURA

Desde a semana passada, alguns vereadores passaram a criticar a decisão de mandar essas famílias para a região do Parque Primavera, na altura da quadra 8 da rua Leôncio dos Santos, perto do Parque Roosevelt, Fortunato Rocha Lima, Núcleo 9 de Julho e Parque Jaraguá, região populosa onde o índice de vulnerabilidade social já é alto.

Na educação, há duas escolas infantis próximas do ponto escolhido para o acampamento, uma de tempo integral e outra parcial, e outras cinco um pouco mais distantes, e mais duas creches conveniadas, porém todas com dificuldade em atender toda a demanda atual. Ainda há uma unidade própria em construção, mas que também previa apenas a demanda anterior ao da chegada das famílias.

Já na saúde, funcionam duas Unidades de Saúde da Família (USF), sendo uma no Núcleo 9 de Julho/Parque Jaraguá, e outra no Santa Edwirges, e UPA do Bela Vista é a mais próxima, e que acabará recendo os novos moradores.

Por fim, a região tem um Centro de Referência em Assistência Social (Cras), no Núcleo 9 de Julho.

PREFEITO DEFENDE

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) afirmou ao JC que a população do Canaã levada ao Parque Primavera terá o apoio do poder público. "A prefeitura vai levar água e depois fará algumas obras de saneamento, para dar uma condição mínima para essas pessoas. A estrutura, na verdade, será até melhor do que havia antes no Canaã. Já as crianças continuarão nas escolas onde estão matriculadas, com a prefeitura fornecendo o transporte, e a saúde vai manter assistência média como vinha fazendo. O Cras do 9 de Julho vai passar por reforma, não apenas por conta dessa situação, e isso ajudará. O nosso governo começou com 3 mil famílias acampadas na cidade, e de forma pacífica estamos resolvendo o problema, dando cursos de capacitação, e permitindo que as pessoas que realmente precisam depois entrem em programas habitacionais que vamos realizar", fala.

Malavolta Jr.
A vereadora Telma Gobbi entende que APAs vem prejudicando desenvolvimento de Bauru 

Telma defende revogar APAs

Assim como já ocorreu em sessões anteriores, os vereadores voltaram a discutir as restrições ambientais em Bauru e o risco de novos precatórios por conta de ações na Justiça que contestam os parques, Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie) e Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Ontem, a vereadora Telma Gobbi (SD) afirmou que neste momento o ideal seria a revogação das APAs. "Estão travando o crescimento e o desenvolvimento, com o risco de novos precatórios", disse.

Já o vereador Markinho Souza (PP), líder do governo na Câmara, afirmou que a prefeitura já fez a revisão do Plano de Manejo da APA do Água Parada e está em processo de elaboração dos Planos de Manejo do Rio Batalha, este devendo ter a publicação nos próximos dias, e do Vargem Limpa/Campo Novo, em processo de estudo. "Devemos pensar não apenas no município agora, mas para o futuro. A APA do Batalha protege um manancial que abastece 40% da população, e deve ser preservado, com o uso sustentável", afirma.