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Política

Cardeal alerta para ameaça à vida

'Vida na Amazônia nunca esteve tão ameaçada', sinaliza dom Cláudio Hummes, no Sínodo da Amazônia, no Vaticano

por FolhaPress

08/10/2019 - 06h00

CNBB/Divulgação

Para o brasileiro, os conflitos da região são gerados por conivência e permissividade dos governos

Cidade do Vaticano - No primeiro dia de trabalhos do Sínodo da Amazônia, no Vaticano, o cardeal dom Cláudio Hummes, relator-geral do evento, afirmou nesta segunda-feira (7) que a vida nessa região nunca esteve tão ameaçada, devido a problemas gerados por situações que contam com a "conivência" ou a "permissividade" de governos e até autoridades indígenas.

A fala fez parte da sua apresentação dos principais temas que serão abordados pelos 250 participantes da assembleia que reúne bispos, especialistas e outros convidados da região amazônica. Junto com o Brasil, são nove países que se espalham pelo bioma --do total de 185 bispos, 57 são brasileiros. 

"A vida na Amazônia talvez nunca tenha estado tão ameaçada como hoje, pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazônica, de modo especial, a violação do direitos dos povos indígenas", disse o cardeal, sentado ao lado do papa Francisco. O brasileiro preside a Comissão Episcopal pela Amazônia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a Repam (Rede Eclesial Pan-Amazônica) e é um dos cardeais mais próximos do papa.

"Segundo o processo de escuta sinodal da população, na Amazônia a ameaça à vida deriva de interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade atual, de maneira especial de empresas que extraem de modo predatório e irresponsável, legal ou ilegalmente, as riquezas do subsolo e da biodiversidade", afirmou dom Cláudio.

Ele acrescentou que isso ocorre "muitas vezes em conivência ou com permissividade dos governos locais e nacionais e por vezes até com o consenso de alguma autoridade indígena".

Papa pede respeito aos indígenas: 'ideologias são arma perigosa'

Remo Casilli/Reuters

Francisco discursa ao abrir o enclave de três semanas e faz mea-culpa

O discurso de abertura dos trabalhos do Sínodo dos Bispos Sobre a Amazônia, na manhã desta segunda-feira, 7, o papa Francisco recordou o passado em que a Igreja Católica procurou catequizar povos indígenas, cobrou respeito às diferentes culturas e afirmou que "as ideologias são uma arma perigosa".

Para o sumo pontífice, colonizações ideológicas "destroem ou reduzem as idiossincrasias das pessoas" e esse tipo de conduta é um risco, pois não se pode "domesticar os povos nativos". Francisco fez um mea-culpa, afirmando que a própria Igreja, quando se esqueceu disso, acabou por "menosprezar" povos e culturas.

Francisco afirmou que é preciso abordar os povos amazônicos "respeitando sua história, suas culturas, seu estilo de vida". "Porque todos os povos têm sua própria sabedoria, autoconsciência, os povos têm sentimento, uma maneira de ver a realidade, uma história e tendem a ser protagonistas de suas histórias com essas qualidades", afirmou.

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