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Política

Coleta de lixo ficará R$ 4 mi mais cara

O novo contrato da Semma com a Emdurb será de R$ 16,5 milhões em 2020, após cotações feitas com empresas do setor

por Thiago Navarro

27/11/2019 - 06h00

Vinicius Bomfim

O secretário de Meio Ambiente, Airton Martinez, frisa que a pasta cotou preço com várias empresas

A coleta de lixo orgânico em Bauru custará R$ 4 milhões a mais no ano que vem, em comparação ao valor deste ano, uma vez que o novo contrato terá um reajuste em 37,4%, chegando a R$ 16,5 milhões em 2020. O preço atual é de R$ 133,90 a tonelada e passará para R$ 184,00 a tonelada, a partir de janeiro, para o serviço de coleta e transporte até o aterro sanitário de Piratininga.

No total, em 2019, a Emdurb receberá R$ 12,2 milhões da Semma, valor que subirá para R$ 16,5 milhões no ano que vem. A pasta justifica o reajuste com base em cotações de preço realizadas com empresas do setor. A Emdurb, por ser uma empresa pública fundada antes da lei de licitações, pode celebrar contratos com o poder público dispensando licitação, desde que apresente preço abaixo do cobrado por empresas privadas.

A Semma fez o pedido de preço a várias empresas, e teve resposta de cinco delas. O menor valor foi da MB Engenharia e Meio Ambiente Ltda, de São Paulo, com R$ 185,00 por tonelada - a Emdurb cobriu por R$ 1,00 a menos a tonelada e fechará o contrato por R$ 184,00. As outras quatro empresas fizeram propostas com valores entre R$ 230,00 e R$ 254,80 por tonelada.

EQUILÍBRIO

O presidente da Emdurb, Elizeu Eclair, afirma que a empresa vem trabalhando com prejuízo de R$ 200 mil mensais na coleta orgânica, pelo menos. O montante equivale a praticamente todo o déficit da Emdurb, que é de R$ 3 milhões anuais, em média. "A coleta vem há três anos com preço menor do que o de mercado, pois nas últimas cotações uma das empresas sempre vinha com proposta bem menor do que o preço real. Mas, desta vez, os preços ficaram compatíveis com a realidade e o contrato terá um valor mais adequado", lembra.

Ainda segundo Eclair, no ano que vem a Emdurb deve ter as contas próximas do equilíbrio, mas ainda carregando os prejuízos acumulados dos anos anteriores. "Vamos usar uma boa parte do valor da venda da folha de pagamento que virá para a Emdurb para reduzir essa diferença, e ainda ficarão algumas dívidas pendentes para o ano que vem", comenta.

Semma precisará 'apertar' Orçamento

O secretário de Meio Ambiente, Airton Martinez, entende que o valor do novo contrato está dentro da realidade, mas pondera que em 2020 a pasta deverá fazer ajustes orçamentários para pagar a diferença de R$ 4 milhões, pois o serviço que custará R$ 12,1 milhões em 2019 passará para R$ 16,5 milhões no ano que vem. "Fizemos cotações de preços com todas as empresas que temos cadastro, nem todas responderam. Tivemos o retorno de cinco propostas e o preço ficou dentro do esperado no mercado. Agora essa diferença de valor em relação a este ano precisaremos ajustar no Orçamento, talvez segurando em outras ações para pagar a coleta, pois é um serviço prioritário e que não pode parar no município", afirma.

A Semma também faz o pagamento da destinação final do lixo, que vai para o aterro sanitário de Piratininga, gerenciado pela Estre Ambiental, no valor de R$ 83,50 a tonelada, o equivalente a R$ 7,5 milhões por ano. Na soma da coleta, transporte e destinação final, o lixo orgânico custa hoje para a prefeitura R$ 19,7 milhões. No ano que vem, chegará a R$ 24 milhõs, justamente em função do novo contrato da coleta e transporte com a Emdurb, que deve ser assinado no mês que vem, passando a valer em 2 de janeiro de 2020.

Para o ano que vem, o Orçamento da Semma é de R$ 59,6 milhões, enquanto neste ano foi de R$ 58,7 milhões. A pasta terá, portanto, apenas 1,7% a mais de verba, insuficiente para cobrir a nova despesa sem cortar despesas em outros setores.

Cotação de preços

Segundo a Semma, cinco empresas responderam na cotação de preços. O menor valor foi da MB Engenharia e Meio Ambiente Ltda, de R$ 185,00. Depois aparecem a Verde Administração e Logística Ambiental Ltda e a Florestana Paisagismo, Construções e Serviços Ltda, ambas oferecendo o serviço por R$ 230,00. Já a VFN Engenharia e Serviços Eireli fez proposta de R$ 250,00 a tonelada, e a Pioneira Saneamento e Limpeza Urbana Ltda a R$ 254,80 a tonelada. A Emdurb cobriu o menor preço, e ofereceu o valor de R$ 184,00 por tonelada. Os preços estão próximos ao que outros municípios do porte de Bauru estão pagando pela coleta e transporte dos resíduos sólidos domésticos.

As cinco empresas que responderam tem suas sedes em outras regiões, algumas até fora do estado. A única que atua na região, a Estre Ambiental, foi contatada pela pasta mas não respondeu. "A Estre recebeu o pedido de cotação, porém, não demonstrou interesse em oferecer o serviço, sem fazer proposta", disse o secretário Airton Martinez, da Semma.

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