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Política

'Nova política nunca existiu', diz deputado

Para Arlindo Chinaglia, País vive processo delicado e com desmonte da máquina pública. Ele falou durante visita a Bauru

por Thiago Navarro

10/01/2020 - 03h57

Samantha Ciuffa

O deputado federal Arlindo Chinaglia é contra reformas do atual governo federal

O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) critica veementemente a definição de 'nova política' pregada nos últimos anos por parte dos partidos. Presidente da Câmara dos Deputados entre 2007 e 2009, Chinaglia está em seu sétimo mandato consecutivo como parlamentar, e mantém em pauta defesas dos assuntos que nortearam a esquerda nas últimas décadas. O deputado esteve em Bauru e região nesta semana, e concedeu entrevista no Espaço Café com Política do JC.

Ele cita ainda que o Brasil vive um momento bastante delicado, com diminuição das políticas voltadas aos mais pobres, e a redução do Estado. "A reforma trabalhista feita há mais de dois anos pelo governo do então presidente Michel Temer prometia gerar mais empregos, e não foi isso o que aconteceu. A reforma da Previdência feita no ano passado pelo governo do Jair Bolsonaro também prometeu criação de empregos, e não estamos vendo isso. Em algum momento, as pessoas começarão a se dar conta de que foram enganadas", afirma. "Os deputados que votaram a favor da reforma da Previdência receberam R$ 40 milhões para usar em emendas. Sabemos que procede porque ninguém nega o fato, assim que foi aprovado. Essa nova política que foi falada nunca existiu mesmo", frisa.

Para ele, parte dos eleitores que votou em Bolsonaro, eleito pelo PSL e atualmente sem partido, já se arrependeram da escolha. "Muitos estão na fase da negação, sabe que a escolha foi ruim, e estão vendo isso, que ficou evidenciado com a crise dentro do PSL, as disputas internas no governo, e o despreparo ao lidar com questões internacionais, como no caso envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Não é um assunto para entrar, os dois países tem relações comerciais com o País, e o mundo árabe é o maior comprador de muitos dos nossos produtos. Mas esse governo não tem um projeto de desenvolvimento definido", entende.

ESTATAIS

Na visão de Chinaglia, ainda mais grave do que as reformas trabalhista e da Previdência, é a tentativa de venda de parte das estatais. "As reformas foram muito ruins para a maioria da população, exceto para os militares, que vão manter as aposentadorias como são hoje. Mas os demais perderam. Isso, apesar de tudo, ainda pode mudar no futuro, um outro governo pode alterar essas reformas. Mas a venda de estatais é um prejuízo que não tem volta. Aconteceu no período do presidente Fernando Henrique Cardoso, e agora estamos vendo o atual governo querendo negociar a Eletrobras e reduzir a participação na Petrobras", lamenta.

O deputado cita que o País precisa manter essas empresas com o controle público, e ainda critica o modelo neoliberal. "Até um tempo atrás, o Chile era o modelo a ser seguido na América Latina, na visão neoliberal. Nós já falávamos que havia problemas lá, e que isso começaria a ser sentido quando a primeira geração se aposentasse com as novas regras, aprovadas há mais de 35 anos. É o que está acontecendo. O povo chileno foi para as ruas, e deve ter uma nova Constituição, estão revendo a situação de aposentadorias. Ou seja, essa fórmula não funciona. A prova está aí para todos verem. Mesmo com uma repressão brutal, o povo continuou pedindo os seus direitos", afirma. "Felizmente, conseguimos impedir aqui a aprovação do sistema de capitalização da Previdência, como queria o ministro da Economia, Paulo Guedes, o mesmo que é feito no Chile e que está em colapso, com o povo se manifestando", lembra.

 

Partido nas eleições

Ainda de acordo com Chinaglia, o PT deve recuperar parte do espaço perdido nas eleições municipais passadas. "A última eleição foi em um período ruim para o PT, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mesmo que nos municípios as pessoas acabem dissociando um pouco as questões nacionais, isso pode interferir. O PT vai disputar com bons nomes. Na eleição para presidente, uma parcela grande votou no Fernando Haddad, que saiu como um nome importante. Muitos porque não concordavam com as ideias do Bolsonaro, e foram em defesa da manutenção da democracia", finaliza.

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