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Política

ETE: projeto é ruim, afirma secretário

Em depoimento firme na CEI, Sidnei Rodrigues também disse que construtora cria situações para postergar a obra da ETE

por Thiago Navarro

19/03/2020 - 05h36

Vinicius Bomfim

Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, critica projeto da Arcadis e postura da COM Engenharia

O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, prestou depoimento na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa. Ele voltou a atacar o projeto elaborado pela Etep, que foi incorporada pela Arcadis, e também a forma de atuação da COM Engenharia, empresa responsável pela construção.

Em oitiva de mais de uma hora, o secretário destacou que os primeiros problemas foram detectados em 2015, logo após o começo das obras. "Nas primeiras reuniões, a COM Engenharia já estava mais preocupada com o cronograma de pagamento do que com o cronograma de obra. Além disso, o projeto é ruim. Mas isso não tira a responsabilidade da construtora, que cria situações e atrasa a obra", declarou.

ADITIVOS

Um desses casos é o pedido de troca da manta dos tanques por lajes. O processo já se arrasta há anos. "O que vejo nesse ponto é a tentativa da empresa em ganhar um pouco mais. Por isso eles pedem a mudança", afirmou. A ETE já teve R$ 17 milhões autorizados em aditivos. Isso corresponde a mais de 13,1% do valor total da obra, contratada por R$ 129 milhões. Ainda há mais dez pedidos de aditivo - três de prazo e sete de valores - e caso todos sejam acatados, o montante passará de 25% do valor inicial, limite máximo previsto por lei. O período de conclusão foi adiado para agosto de 2021.

Ainda aos vereadores, Sidnei lembrou que a prioridade é concluir a parte principal da ETE, colocando em operação, para evitar o risco de perder verba federal. Foram R$ 118 milhões liberados pela União, e se a construção parar por mais de três meses, o dinheiro não vem mais para a prefeitura e o governo federal ainda pode pedir a devolução do que já foi pago.

A conclusão da etapa onde ficarão os secadores, neste caso, seria desmembrada e pode haver contratação de outra empresa. A Arcadis, empresa que fez o projeto da ETE, foi novamente convidada para dar esclarecimentos ontem, mas não compareceu.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE), que cuida agora dos processos relativos à ETE, vai contratar empresa para fazer o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), gerenciamento e fiscalização, com custo estimado em R$ 7 milhões. 

CEIs estão suspensas

A CEI da ETE ficará suspensa por um mês, por conta da pandemia de coronavírus. A decisão foi tomada pelo presidente da comissão, o vereador Manoel Losila (PDT), junto com o relator Edvaldo Minhano (Cidadania) e os membros Coronel Meira, Chiara Ranieri (DEM) e Yasmim Nascimento (PSC). As oitivas previstas para a semana que vem serão remarcadas.

 O presidente da CEI da Cohab, Natalino da Silva (PV), também decidiu suspender os trabalhos por um mês, e as oitivas marcadas para amanhã serão reagendadas. Além dele, fazem parte desta CEI o relator Markinho Souza (PP) e os membros Sandro Bussola (PDT), Pastor Luiz Barbosa (Republicanos) e Ricardo Cabelo (Cidadania).

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