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Política

Doria cobra equilíbrio e Bolsonaro pede que tucano saia do palanque

por FolhaPress

26/03/2020 - 06h00

Em vídeoconferência na manhã desta quarta (25), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que o tucano não tem autoridade para criticá-lo após ter sido eleito às suas custas e depois ter lhe virado as costas. "Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente do Brasil. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal", disse o presidente ao tucano.

O embate entre Doria e Bolsonaro ocorreu diante dos demais governadores do Sudeste durante teleconferência com o presidente da República.

Segundo participantes da reunião, o tucano recomendou equilíbrio ao presidente. Irritado, Bolsonaro afirmou que o Doria usou seu nome para se eleger e depois virou as costas como fez com os demais apoiadores.

A referência do presidente é em relação ao chamado "BolsoDoria", quando o tucano declarou apoio e fez campanha para Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial de 2018. Eles romperam a relação política logo no início de seus mandatos.

Ao ouvir críticas de Doria à condução do combate ao coronavírus, Bolsonaro disse que o governador de São Paulo fez declarações levianas e sugeriu que o tucano guardasse suas opiniões pessoais para 2022.

O governador de São Paulo criticou o pronunciamento de Bolsonaro no dia anterior logo no começo da sua fala. "Estamos aqui, os quatro governadores do Sudeste em respeito ao Brasil e aos brasileiros, e em respeito ao diálogo e ao entendimento. Mas o senhor que é o presidente da República tem que dar o exemplo, e tem que ser o mandatário a dirigir, a comandar e liderar o país e não para dividir", continuou o governador.

Doria ainda pediu a Bolsonaro que acelere a liberação de insumos e equipamentos e que não confisco de respiradores, o que detonou a reação do presidente.

Assim como Doria, os demais governadores lamentaram as declarações de véspera do presidente. O governador Wilson Witzel disse que não seguirá as orientações do presidente.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, disse que nunca desejou tanto que um presidente estivesse certo em seu pronunciamento. Mas que, por questão de responsabilidade, não poderia pagar para ver. Ele também criticou as orientações dadas por Bolsonaro.

Antes da vídeoconferência, Bolsonaro manteve nesta quarta (25) o tom adotado em seu pronunciamento da véspera sobre a crise do novo coronavírus, criticou medidas tomadas por governadores de restrição de movimentação de pessoas e defendeu o isolamento apenas para aqueles do chamado grupo de risco, como idosos.

Ele voltou a falar que as ações de governadores prejudicam a economia e podem criar um ambiente de caos no País.

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