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Política

Capitão Augusto pede união na pandemia

Deputado federal afirma que momento é de enfrentar as dificuldades impostas pelo coronavírus sem ressentimentos

por Thiago Navarro

23/05/2020 - 06h00

Parlamentar faz discurso conciliatório por considerar muito grave o momento

O deputado federal Capitão Augusto (PL) afirma que o momento é de união no combate à pandemia de coronavírus. A Frente Parlamentar da Segurança Pública, da qual é presidente, manteve o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, mesmo após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Em entrevista ao JC, ele cita que o País não deve ter um processo de impeachment, lamenta a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e diz que André Mendonça deverá fazer um bom trabalho.

JC - Como o senhor avalia o momento atual do País?

Augusto - O atual momento do País é de incertezas, agravadas pelas saídas dos ministros da Saúde e da Justiça, agravadas pelo avanço da epidemia. Logo em seguida vamos ter a crise econômica, que já está acontecendo, e vamos ter crise na segurança, pois conforme a situação da economia piora, a violência aumenta. Também há a crise política, com dezenas de pedido de impeachment contra o presidente já protocolados na Câmara, então é um ano muito difícil, conturbado, só com muito diálogo para reverter

JC - A saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça surpreendeu?

Augusto - A saída do Moro surpreendeu a todos, pois era muito popular. A gente não esperava que ele fosse sair do governo, e depois nomeado a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Infelizmente não aconteceu.

JC - A saída de Sergio Moro vai afetar a relação da Frente de Segurança Pública da Câmara e da bancada da bala com o presidente? O apoio a Jair Bolsonaro está mantido?

Augusto - A Frente da Segurança discutiu se sairia do governo, mas decidimos permanecer, pois o momento é complicado, e não poderíamos causar mais esse transtorno. A bancada permanece como base aliada, fiz o pedido para recriação do Ministério da Segurança Pública, e já foi sinalizado que há essa possibilidade.

JC - O novo ministro da Justiça, André Mendonça, tem relação com Bauru, pois estudou aqui. O que o senhor espera do trabalho dele?

Augusto - O André tendo essa proximidade com Bauru muito nos orgulha, e tenho certeza que fará um excelente mandato, como foi em todos os cargos por onde passou. Uma pessoa de diálogo, inteligente e muito capacitado. Deposito muita esperança nele.

JC - Há uma disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores e prefeitos em relação ao isolamento social. Até que ponto isso afeta o comportamento da população?

Augusto - A disputa do presidente com os governadores é ruim. A pandemia já é um problema grave, todos devem estar unidos. O presidente tem uma postura a favor da liberação da atividade econômica e os governadores e prefeitos mais a favor do isolamento, criou-se um embate. Isso não poderia ter sido politizado. Na Câmara, estamos procurando aprovar os projetos importantes, como foi com a ajuda aos estados e municípios, e a obrigatoriedade do uso de máscaras.

JC - Vários pedidos de impeachment contra Bolsonaro foram protocolados na Câmara. O senhor tem uma posição definida a respeito?

Augusto - Sou contrário ao impeachment. Não acredito que será pautado agora, pois isso precisa vir da população, e ele ainda tem 35% de apoio, só seria possível com rejeição de 90% da população. O Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) já deixou claro que não é hora de falar em impeachment, as pautas das sessões virtuais serão para votações de projetos de combate ao coronavírus.

JC - Atualmente, o que os municípios da região mais têm apresentado de demanda ao senhor, em quais setores a situação é mais difícil? E sua relação com o prefeito Clodoaldo Gazzetta?

Augusto - Os prefeitos têm solicitado muitos recursos para a saúde, especialmente para comprar respiradores e equipamentos, as emendas estão sendo direcionadas para a saúde, o que não era conseguimos converter para essa área. O contato meu com o Gazzetta é praticamente diário. Levei o pedido de ampliação dos leitos de UTI feito por ele ao vice-governador. O que precisa é a vinda dos respiradores, esta tem sido a dificuldade com o Estado.

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