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Política

Doria e Bolsonaro adotam trégua

Ambos abandonaram o tom belicoso das últimas declarações durante reunião virtual do mandatário com governadores

por FolhaPress

22/05/2020 - 06h00

Marcos Correa/Fotos Públicas

Davi Alcolumbre, Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia, durante a videoconferência, nesta quinta-feira

Brasília - Adversários políticos e protagonistas de intensas trocas de acusações, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), abandonaram o tom belicoso das últimas declarações durante reunião virtual do mandatário com chefes dos governos estaduais. Doria, que já foi chamado de "gravatinha" por Bolsonaro e disse que o mandatário vive numa "redoma em Brasília", pregou paz quando falou na teleconferência.

"Este é o sentimento dos governadores do Brasil. Vamos em paz, presidente, vamos pelo Brasil, e vamos juntos. É o melhor caminho e a melhor forma de vencer a pandemia", declarou o governador. Participaram da videoconferência de Bolsonaro com os governadores os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Em suas intervenções, Bolsonaro agradeceu a manifestação de Doria e evitou entrar em confronto. "O motivo da reunião é uma continuidade, um esforço de todos, na busca de minorar e mitigar problemas e atingir na ponta da linha aqueles que são afetados por essa crise, que nós não sabemos ainda o tamanho da sua dimensão. Ela realmente em muito prejudicou não só o Brasil, mas o mundo todo", afirmou Bolsonaro.

O presidente pediu apoio para que o congelamento salarial até o fim de 2021 tenha efeito para todos os servidores da União, Estados e municípios. "É bom para o servidor, porque o remédio é o menos amargo, mas é de extrema importância para todos os 210 milhões de habitantes", disse o presidente, lembrando que trabalhadores da iniciativa privada estão perdendo empregos na crise ou sofrendo corte salarial e que a renda dos trabalhadores informais também caiu por causa da pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro anunciou que irá sancionar o pacote de socorro financeiro aos Estados e municípios, estimado em R$ 125 bilhões, com quatro vetos. Um deles é ao trecho que abre brecha para algumas categorias do funcionalismo recebam novos reajustes. Diante do tombo na economia e na arrecadação causado pela pandemia, o Congresso aprovou um pacote de aproximadamente R$ 125 bilhões de auxílio aos governadores e prefeitos. A única contrapartida - congelamento salarial do funcionalismo - foi flexibilizada com o apoio de Bolsonaro.

Isso expôs uma disputa interna do governo sobre o controle de gastos públicos. A articulação da ala política do governo foi contrária à orientação do ministro Paulo Guedes (Economia), por permitir reajuste a algumas corporações, como policiais federais, Forças Armadas, profissionais da saúde e professores, mesmo durante o período de crise econômica. Após repercussão negativa, o presidente recuou e prometeu vetar esse trecho.

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