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Política

'Jamais eu entregaria um telefone meu', diz Bolsonaro após despacho

STF atendeu a pedidos de partidos e parlamentares de oposição para que o celular do presidente seja apreendido e periciado

por FolhaPress

23/05/2020 - 05h41

Valter Campanato/Agência Brasil

General Augusto Heleno considerou pedido de Celso de Mello "inconsebível" e "inacreditável"

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta (22) que, mesmo se houver uma determinação para entregar seu aparelho celular, não pretende cumpri-la. Mais cedo, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedidos de partidos e parlamentares de oposição para que o telefone do presidente seja apreendido e periciado.

Segundo o ministro, cabe à PGR a analisar as acusações que constam nas representações. O encaminhamento ao Ministério Público Federal é praxe em casos de casos do tipo. "Eu não sou diferente de ninguém. A lei me atinge, mas eu sou o presidente da República. Jamais eu entregaria um telefone meu", afirmou. "Só se fosse um rato para entregar o telefone."

Bolsonaro também disse que uma decisão judicial nesse sentido seria "uma afronta". Embora seja comum pedir um parecer da PGR quando o STF recebe notícia-crime, o presidente disse que Celso de Mello poderia ter ignorado o pleito dos parlamentares. Ele disse ainda ter certeza de que o parecer do PGR, Augusto Aras, será contra a entrega do celular.

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse que uma eventual apreensão do celular do presidente poderá ter "consequências imprevisíveis". Em nota, o ministro criticou o ato do ministro Celso de Mello e considerou o pedido do decano algo "inconcebível" e "inacreditável". Para ele, "seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder, na privacidade do Presidente da República e na segurança institucional do país".

As três notícias-crime também solicitam que o Supremo determine a apreensão do aparelho telefônico de um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), além de requererem a coleta de depoimento do presidente. As representações chegaram ao Supremo logo após Sergio Moro pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 24 de abril, com graves acusações a Bolsonaro.

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