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Política

Diretor do Fórum Pró-Batalha alega inoperância de presidência em projetos

Segundo Gabriel Motta, entidade está com atraso na prestação de contas em repasses do Fehidro; dirigente se defende

por Thiago Navarro

13/09/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

Gabriel Motta fala sobre o caso

O diretor-executivo do Fórum Pró-Batalha, Gabriel Motta, entrou com representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) alegando que o atual presidente da entidade, o advogado Klaudio Coffani, atrasou a prestação de contas e não tem dado publicidade a atas e reuniões da Organização Não Governamental (ONG), que foi declarada de utilidade pública em Bauru.

O principal entrave, afirma Motta, é com relação à prestação de contas de três projetos obtidos pelo Fórum Pró-Batalha com o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). Os projetos foram aprovados em 2015, 2016 e 2017, cada um para a recuperação de 20 hectares na bacia do Rio Batalha, manancial que abastece 37% da população de Bauru. O valor dos convênios, somados, é de R$ 1,5 milhão. Deste total, cerca de R$ 900 mil já foram repassados e R$ 600 mil ainda serão liberados, conforme a apresentação das contas das etapas anteriores.

Porém, como teria havido atraso na prestação de contas, os repasses pararam de vir, o que levou ao atraso no pagamento de fornecedores, comprometendo, segundo Motta, a manutenção das mudas já plantadas. "Os projetos aprovados no Fehidro são pagos por etapa, a cada seis meses, após o envio da prestação de contas da etapa anterior. O primeiro, que é de 2015, falta uma etapa apenas para concluir. Os demais ainda têm mais. O problema é que, sem o dinheiro, não conseguimos pagar fornecedores, o que prejudica a manutenção das mudas. O trabalho realizado não é simplesmente ir lá e plantar, mas tem todo o cuidado, por pelo menos três anos", frisa.

Além da demora na prestação de contas para o Fehidro, o diretor-executivo ainda diz que o presidente não dá transparência aos atos, retendo documentos, além de ter levado a sede da entidade para o seu escritório de advocacia. Este último aspecto motivou a apresentação de uma denúncia ao Conselho de Ética da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Além de diretor do Fórum Pró-Batalha, Motta é também chefe de seção de Recursos Naturais da Secretaria de Agricultura (Sagra), ocupando o cargo efetivo de engenheiro florestal.

DEFESA

O presidente do Fórum Pró-Batalha, Klaudio Cóffani, rebateu as acusações. Motta tem documentos que citam atrasos de prestação de contas ainda no ano passado. Contudo, Cóffani afirma que a pandemia atrapalhou. "Assim que entrou a pandemia, o Fehidro teve que suspender as verificações de como está o andamento dos projetos. Mas isso deve ser regularizado o quanto antes", comenta.

Cóffani entende que houve motivação pessoal nas denúncias. "O Gabriel Motta parou de participar das reuniões, passou a brigar com os demais membros da entidade. O Fórum Pró-Batalha não tem dono. Vamos prestar as informações solicitadas pelo Ministério Público de São Paulo, mas depois pretendo processar ele (Gabriel). E todo mundo é voluntário, ninguém recebe nada", afirma.

Sobre os documentos e reuniões, Cóffani diz que os encontros estão ocorrendo e afirma que não segurou nenhum documento. "A sede da entidade realmente está em uma sala ao lado do meu escritório, mas fizemos isso avisando os membros e como forma de economizar recursos. Não há nenhuma ilegalidade", considera. "O Fórum Pró-Batalha, hoje, participa dos principais conselhos, como o Comdema e o Conselho do Município, o que é também uma parte importante da atuação", finaliza. 

 

Promotor analisa

O caso foi levado ao promotor Henrique Varonez, do MP-SP. Ele pediu informações ao presidente Klaudio Cóffani a respeito do recebimento de verbas públicas. "O Ministério Público de São Paulo recebeu a representação e formalizou um pedido de informação sobre o recebimento de recursos públicos, pois apenas neste caso é possível atuar. Estamos ainda dentro do prazo, aguardando o retorno por parte da entidade", afirma o promotor. 

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