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Política

Segundo turno em 18 capitais do País

Brasil terá novo turno em 57 cidades, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro, que teve surpresa na definição da reta final

por FolhaPress

17/11/2020 - 05h00

Reprodução CNN

A mediadora Monalisa Perrone entre Boulos (esq.) e Covas (dir) no debate da noite de ontem

Brasília - Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram os maiores índices de abstenção de eleitores no primeiro turno das eleições municipais. O número de eleitores faltosos foi 27,3% e 28%, respectivamente. A abstenção em todo o País foi de 23,1%. Era esperado um aumento, em tempos de pandemia. Mas não tanto. Nas eleições municipais de 2016, a abstenção foi de 17,5% do eleitorado de todo o país. No primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, o índice foi de 20,3%.

O resultado final da apuração também mostrou que 34,1 milhões de eleitores em todo o país não votaram. Cerca de 147 milhões estavam aptos a votar. Foram registrados 3,9 milhões de votos em branco e 7 milhões de votos nulos. Rivalizando com esse destaque negativo, mais um: a demora do processamento das urnas eletrônicas. 

O presidente do TSE, ministro Luís  Roberto Barroso afirmou que a demora na entrega de equipamentos por parte da empresa Oracle, em razão da pandemia, impediu a realização de testes prévios no sistema. Os equipamentos, segundo ele, deveriam ser entregues em março, mas chegaram somente em agosto. 

DECISÕES APERTADAS

E foi justamente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (leia mais abaixo) que as decisões de quem seria o segundo colocado para disputar o próximo turno ficaram indefinidas até a boca de urna. Nem mesmo as pesquisas arriscaram e davam sempre empate técnico.  De certo só o fato de que São Paulo via o favoritismo do atual prefeito Bruno Covas (PSDB) enquanto o Rio de Janeiro tinha a volta de Eduardo Paes como certa para uma nova disputa. E só. O nome do segundo colocado ficou mesmo para ser definido nas urnas. E a distância do atual prefeito Marcelo Crivella (21%) ficou bem nítida, contra Martha Rocha (PDT) e Benedita Silva (PT) com 11% da preferência.  Ele teve o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Nesta segunda-feira, uma das principais lideranças de esquerda da cidade, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) defendeu o "voto crítico" em Paes a fim de impedir uma vitória de Bolsonaro na cidade.

PORTO ALEGRE

A candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manuela D'Ávila (PCdoB) que liderava as pesquisas, ficou em segundo lugar e deve enfrentar com pouco apoio de adversários o segundo turno das eleições, disputado com Sebastião Melo (MDB). Nos bastidores, apenas a candidata Fernanda Melchionna (PSOL) vai ampará-la. Em live com a imprensa na noite desta segunda, Manuela disse que iria procurar "imediatamente" Juliana Brizola (PDT), Melchionna e Montserrat Martins (PV). E destacou o índice alto de pessoas que não foram votar. 

Melo destacou a surpresa (as pesquisas o davam 15 pontos atrás dela) e o caráter conservador de sua campanha "sem promessas vãs".

CAPITAIS 

Sete capitais brasileiras elegeram, neste domingo (15), seus prefeitos pelos próximos quatro anos. Outras 18 capitais terão segundo turno daqui a duas semanas, no dia 29.

Ao todo, 25 das 26 capitais brasileiras votaram para prefeito. A capital federal, Brasília, não tem prefeito; já as eleições em Macapá foram adiadas para dezembro por causa do apagão no Amapá. Porto Alegre, com Nelson Marchezan Junior foi a única capital a não ter o atual prefeito na disputa.

Confira as disputas nas prefeituras das capitais para o segundo turno na página 17. 

No Recife, primos em lados opostos

Reprodução/Facebook

Bisneto João e neta Marília de Miguel Arraes fazem o 2º turno

Recife - Nas eleições de 2018, João Campos e Marília Arraes chegaram à Câmara dos Deputados como os dois mais votados do Estado de Pernambuco. Dois anos depois os primos estão em lados opostos. O embate no ninho da família mais tradicional da vida política pernambucana, que divide o eleitorado do campo mais alinhado à esquerda no Recife, ganha um novo contorno no segundo turno entre os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). Ele é bisneto e ela neta do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.

Os dois, que tiveram 29,17% e 27,95% dos votos respectivamente, disputam uma fatia de 42% do eleitorado recifense que votou em candidatos do campo conservador.

Nos bastidores, algumas estratégias de alianças já estão sendo traçadas. Juntos, o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) e a delegada Patrícia Domingos (Podemos), apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tiveram 39% dos votos.

Os dois já declararam publicamente que vão ficar neutros neste segundo turno. Recife é a única capital do Brasil onde haverá disputa entre duas candidaturas situadas no campo da esquerda.

Candidato da situação, João Campos recebeu os ataques mais fortes dos adversários que estão fora da corrida eleitoral. Preferiu não responder.

Agora, o tom mudou. "Recife já conhece o resultado das arengas do PT", disse o deputado logo após a apuração numa referência às gestões petistas na capital pernambucana. O PSB foi vice do ex-prefeito João da Costa (PT) e integrou os dois governos de João Paulo (PT) à frente da Prefeitura do Recife.

Covas e Boulos: conseguir apoios

Reprodução CNN

A mediadora Monalisa Perrone entre Boulos (esq.) e Covas (dir) no debate da noite de ontem

"A esperança venceu o radicalismo no primeiro turno e a esperança vai vencer o radicalismo no segundo turno", disse o prefeito Bruno Covas (PSDB) na noite deste domingo (15) ao comemorar a liderança contra Guilherme Boulos (PSOL). Mas não ficou só na crítica. Já começou a se movimentar. Alvo de críticas do ex-governador Márcio França (PSB) no primeiro turno da campanha na capital paulista, o prefeito Bruno Covas (PSDB) busca agora o apoio de aliados do pessebista e avança sobre os bases do ex-rival. Interlocutores de Covas também se encontraram com dirigentes do Solidariedade, que apoiou França, e da Força Sindical. França foi o terceiro colocado nas urnas enquanto Celso Russomano (Republicanos) amargou o quarto lugar e a terceira derrota na disputa pela capital.

PSOL

Até a manhã desta segunda-feira (16) pelo menos três das principais lideranças do PT na capital paulista já haviam declarado apoio a Boulos, a começar pelo candidato do partido no primeiro turno, Jilmar Tatto.

"Acabei de ligar para Guilherme Boulos, ele pode contar comigo e com a nossa valente militância para virar o jogo em São Paulo", escreveu Tatto.

Boulos teve apoio do ex-prefeito da capital Fernando Haddad, que também convocou os eleitores petistas a votarem no candidato do PSOL. "Progressistas, ninguém arreda o pé de São Paulo até a vitória de Guilherme Boulos e a derrota dos tucanos. Vamos à luta", disse.

O apoio petista a Boulos ainda foi reforçado por Eduardo Suplicy, vereador mais votado em São Paulo nesta eleição, com mais de 167 mil votos.

Os dois candidatos já inauguraram a fase de debates na noite desta segunda-feira, no canal CNN.

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