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Política

Abstenção de 23,1% é a maior dos últimos 20 anos no Brasil

Ministro minimiza ausência e pede 'desculpas' pelo atraso na apuração

por FolhaPress

18/11/2020 - 05h00

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Barroso preferiu cumprimentar 'de coração' o eleitor brasileiro

São Paulo - No início da sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desta terça-feira (17), o presidente da corte, Luís Roberto Barroso, pediu "desculpas" aos ministros e à sociedade pelo atraso na divulgação do resultado das eleições municipais no último domingo.

Apesar disso, Barroso classificou a lentidão no sistema de totalização de votos como um "pequeno problema" e ressaltou que o resultado foi anunciado no mesmo dia do pleito.

"Peço desculpas aos colegas e à sociedade brasileira pelos problemas que enfrentamos, mas esclareço que não houve nenhum tipo de comprometimento para a fidedignidade do voto, para a fidelidade da manifestação da vontade popular", disse.

RECORDE

Esta terça-feira foi o dia em que o órgão fez o balanço oficial do pleito. A soma de abstenções, votos brancos e nulos supera a votação recebida pelo primeiro colocado nestas eleições para prefeito em 483 cidades brasileiras. Dessas, 18 são capitais.

Esse é o caso de São Paulo, onde 3,6 milhões de eleitores optaram por não escolher nenhum dos candidatos que disputavam a prefeitura. O primeiro colocado no primeiro turno, o prefeito Bruno Covas (PSDB), teve 1,7 milhão de votos (32,85% dos votos válidos).

Mesmo que a votação de Covas seja somada à de Guilherme Boulos (PSOL), que também irá para o segundo turno, o total ainda é menor que o número dos que não quiseram escolher um candidato: os dois juntos conquistaram a preferência de 2,8 milhões de paulistanos.

O fenômeno se repete em outras oito capitais. Em Porto Velho, Palmas, Natal, João Pessoa, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Goiânia, brancos, nulos e abstenções, somados, superaram a votação do primeiro e do segundo colocados juntos.

No total, isso aconteceu em 456 cidades, 38% delas no Estado de São Paulo.

COMPARECIMENTO

EM MASSA

Nestas eleições, realizadas em meio à pandemia do coronavírus, a abstenção foi a maior registrada em 20 anos. Em todo o país, não foram votar 23,1% dos eleitores, o equivalente a 3,9 milhões de pessoas. Na eleição municipal anterior, em 2016, os que se abstiveram foram 17,6%.

Ainda assim, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, elogiou o eleitorado e afirmou que, tendo em vista a pandemia, houve comparecimento em massa.

"Os níveis de abstenções foram inferiores a 25%, portanto, em plena pandemia, nós tivemos um índice de abstenção pouca coisa superior a das eleições passadas", disse em entrevista coletiva o presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, neste domingo (15). "Eu gostaria de cumprimentar, de coração, o eleitorado brasileiro que compareceu em massa apesar das circunstâncias."

Os brancos e nulos, por sua vez, foram um pouco menos representativos: eram 10,9% há quatro anos, contra 9,6% nesta eleição.

 

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