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Política

Candidato à Presidência da Câmara, Cap. Augusto aposta em voto secreto

'Correndo por fora' na disputa polarizada entre Arthur Lira e Baleia Rossi, ele acredita que puxará votos na última hora

por Marcele Tonelli

16/01/2021 - 05h00

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Capitão Augusto em sessão na Câmara dos Deputados; parlamentar disputa Presidência da Casa

O deputado federal Capitão Augusto (PL) deposita expectativas no voto secreto para tentar chegar à Presidência da Câmara dos Deputados, na eleição do dia 2 de fevereiro. "Correndo por fora" na disputa polarizada entre Arthur Lira (Progressistas) e Baleia Rossi (MDB), que estão focados na bancada partidária, o parlamentar busca votos da bancada temática e espera puxá-los de colegas vinculados com partidos, mas que mudem de ideia na hora do voto por se identificarem com as pautas dele.

Presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, Capitão Augusto diz que, hoje, conta com, ao menos, 70 votos desta e de outras frentes, como a Contra a Corrupção, a de Defesa da Vida e da Família, a Católica e a Evangélica.

"Eu sei que minha situação está mais para 'milagre'. Se o voto fosse aberto, eu nem sairia candidato, porque os parlamentares têm um certo compromisso com o partido", comenta. "Mas, acredito que haverá dissidência dos dois lados. Acabou de me ligar um deputado evangélico que disse que não pode declarar publicamente, mas que o voto dele é meu, porque ele confia no meu trabalho. A questão do voto secreto já trouxe inúmeras surpresas em votações na Câmara", completa.

Além disso, o parlamentar coloca expectativas em até 80 deputados que ainda não teriam definido ou declarado voto. "Acho que, quem desistir do Arthur, a tendência não é ir para o Baleia, e vice-versa. E eu vou apostar nisso para tentar o segundo turno", projeta.

PAUTAS

Entre as prioridades à frente de um possível comando da Câmara, Capitão Augusto diz que sua aposta será na pauta conservadora, de priorização da segurança pública, endurecimento da legislação penal, combate à corrupção, além da flexibilização do porte e posse de armas.

"O que me incomoda, hoje, é a falta de compromisso com a pauta do combate à corrupção e à criminalidade. Não vejo nada avançar no Congresso", exprime.

Diferencial

Para Capitão Augusto, tem ficado evidente que políticos que nunca se identificaram com o presidente Jair Bolsonaro têm se mostrado aliados apenas para obterem aprovação.

"Tenho 19 militares na bancada bolsonarista que sabem diferenciar o que é ser aliado e estar aliado. Eu sou o único de direita conservador, o único a favor da Lava Jato, o único a favor da revogação do juiz de garantias, o único a favor da volta do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Justiça, o único a favor da PEC da prisão em segunda instância, o único que preservará a pauta dos costumes", pontua.

Ele coloca sua candidatura, inclusive, como uma forma de testar quantos colegas, de fato, estariam comprometidos com as pautas mais conservadoras na Câmara.

"É importante para a sociedade e para os parlamentares entender qual o tamanho da bancada que representa esses valores, ou se houve uma renovação fictícia de cerca de 300 deputados", finaliza Capitão Augusto.

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