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Política

Fase vermelha: Suéllen fecha parques e estuda novo decreto com adequações

Cidade entrou no enquadramento mais restritivo do Plano São Paulo ontem e prefeita publicará texto com regras até amanhã

por Marcele Tonelli

23/01/2021 - 05h00

JuRehder

Reclassificação do Estado

Diante da ameaça de esgotamento de UTIs para Covid-19, dada à lotação do Hospital Estadual (HE) de Bauru e de várias outras unidades da região, o alerta se concretizou e Bauru foi reclassificada, nesta sexta-feira (22), para a fase vermelha do Plano São Paulo (leia mais na página 16). A medida anunciada pelo governo estadual precisa ser regulamentada pelo município e passa a valer apenas na segunda-feira (25). A prefeita Suéllen Rosim já anunciou o fechamento de parques públicos na cidade e promete publicar, até domingo (24), o decreto municipal seguindo a fase vermelha do Plano São Paulo, mas, novamente, ela fala em "adequações".

A chefe do Executivo informa que se reunirá na manhã deste sábado (23) e também no domingo com membros do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 e da Vigilância Epidemiológica e com os secretários de Saúde, Orlando Costa Dias, e de Desenvolvimento Econômico, Charlles D'Angelus, para estudar o que será possível "adequar" em relação ao Plano São Paulo.

Mesmo antes do decreto, ainda na tarde desta sexta-feira, a prefeitura, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), fechou a visitação pública ao Zoológico Municipal, Jardim Botânico, Horto Florestal e Bosque da Comunidade. Esses locais permanecerão fechados, segundo a pasta, até que haja reclassificação em fase superior.

MAIS RESTRITIVO

Mais rígida da quarentena, a fase vermelha do plano estadual só permite o funcionamento normal em setores essenciais, como farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, bancas de jornal, postos de combustíveis, lavanderias e hotelaria. Se ela for seguida à risca, demais comércios e serviços não essenciais, a exemplo de shoppings, bares e restaurantes, só poderão atender em esquema de retirada na porta, drive-thru e entregas por telefone ou aplicativos.

"Iremos discutir as medidas e ações que podemos tomar para tentar garantir a Saúde, mas minimizar os impactos que a fase vermelha traz para Bauru nesse momento. Nós temos riscos de demissões represadas, inclusive", frisa Suéllen.

As medidas anunciadas pelo Estado na nova quarentena vigoram até 7 de fevereiro.

LOTAÇÃO

Apesar do número de casos e mortes estar aumentando nos últimos dias, o índice que puxou Bauru para a fase vermelha foi o de ocupações de UTIs, que, segundo o Estado, está acima de 84%, considerando todos os hospitais da região de Bauru.

No Hospital Estadual, a taxa de ocupação estava em 98% nesta sexta (22), segundo a prefeitura. O boletim municipal, inclusive, também traz a taxa de ocupação da região - considerando os hospitais públicos de Bauru, Jaú, Botucatu, Lins, Avaré e Promissão - e mostra uma situação de superlotação ainda mais crítica que a trazida pelo Estado: 101%.

Com 23 dias de governo, a chefe do Executivo critica o descompasso na rede de saúde da cidade. "Me preocupa demais essa situação e lamento que nosso sistema público de saúde esteja tão defasado, mesmo diante de 10 meses convivendo com a instabilidade que é a Covid-19 e da possibilidade de segunda onda. Não temos como montar um hospital da noite para o dia", aponta Suéllen.

Uma das saídas é a ativação emergencial dos 10 leitos de UTI, no Hospital das Clínicas, prometidos para a próxima semana, e também a viabilização de um fluxo de internação de pacientes SUS na rede privada, que caminhou com uma decisão judicial ontem (leia mais na página 6).

"É importante deixar claro que, desde o momento em que assumi a gestão, tenho batalhado por mais leitos de UTI, sabendo que a tendência era um aumento de casos com relação à Covid-19", completa.

FISCALIZAÇÕES

Mesmo tendo intensificado a fiscalização e voltado com a busca ativa, a prefeitura sabe que terá grande dificuldade para fazer com que haja cumprimento da medida e para evitar excessos da população.

"A fiscalização na fase vermelha é bastante complexa. Fechar a cidade pode significar aglomerações também, porque as pessoas podem acabar passando em um mercado, por exemplo, e se reunindo com mais gente em casa", observa a prefeita.

Suéllen Rosim conta ainda que conversou com prefeitos da região, nesta sexta (21), e que eles sinalizaram seguir o Plano São Paulo, também com ressalvas. "Eles têm a mesma aflição, então eles também devem fazer adequações", finaliza.

Na semana passada

Na sexta-feira (15) da semana passada, quando Bauru foi reclassificada para a fase laranja, Suéllen Rosim também disse que seguiria o novo enquadramento, mas com "ressalvas". 

Então, conforme o Jornal da Cidade noticiou, um decreto foi publicado no sábado (16) com restrições mais flexíveis do que as determinadas pelo Estado. A prefeitura disse que fez isso "diante da realidade do município, que tem os segmentos de comércio e serviços como predominantes em sua economia". 

Agora, a expectativa de diversos segmentos é saber o quanto ela vai adequar a cidade à fase vermelha, a mais restritiva de toda a quarentena. 

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