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Política

Bauru cai em ranking de saneamento

Cidade ficou na 77ª posição entre 100 cidades avaliadas em saneamento básico e vereador Meira cobra providências

por Tânia Morbi

07/04/2021 - 05h00

Divulgação/Câmara Municipal de Bauru

Vereador Coronel Meira

Um levantamento do Instituto Trata Brasil, divulgado em março, classificou Bauru na 77ª posição entre os 100 maiores municípios brasileiros quanto à qualidade do serviço de saneamento básico. O resultado, relativo a 2019, gerou manifestação do vereador Benedito Roberto Meira (PSL), classificando o resultado como "vexame" para a cidade.

O Instituto Trata Brasil publica, anualmente, desde 2007, o Ranking do Saneamento com base em informações do SNIS (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento), que reúne dados de prestadores dos níveis municipais, regionais e estaduais de serviços de coleta e tratamento de esgoto e resíduos sólidos.

Para obter o resultado, são considerados diferentes setores do saneamento, como população atendida, fornecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, investimento em saneamento e perdas de água no sistema. Cada setor possui vários indicadores, para os quais são atribuídas notas que, somadas, determinam a posição de cada município.

Entre os índices considerados para a má classificação de Bauru no Ranking, alguns foram destacados pelo vereador em sua postagem. As perdas de água tratada, que chegam a 47,93%, e os investimentos de 6,32% sobre a receita foram, de acordo com o vereador, "alguns dos fatores que colocam Bauru no final da lista".

"No Ranking anterior, Bauru ficou na 61ª posição. É horrível ter uma classificação tão ruim no Estado de São Paulo, já que entre as 10 primeiras cidades mais bem classificadas 7 são cidades paulistas", argumenta.

Para o vereador, um dos principais problemas revelados pelo ranking é a perda de água tratada, já que Bauru tem um dos índices mais altos do levantamento. Problema que, em sua avaliação, pode ser resolvido em curto prazo. "O que se observa é que Bauru tem um dos piores índices de perda, de quase 48%. É muita coisa. A cidade em primeiro lugar é Santos, com 17%. Mas Bauru tem condição de mudar isso e recuperar, pelo menos, 20% dessa perda no prazo de seis a oito meses", afirmou.

A recuperação seria possível, em sua opinião, considerando um dos indicadores usados para calcular a perda de água, que é o bom funcionamento dos hidrômetros que medem mensalmente o gasto de água. Em Bauru, os donos dos imóveis são responsáveis pela troca dos equipamentos o que, para o vereador, contribuiu para que a prefeitura registre perdas consideráveis. "Depois de 10 anos, o equipamento começa a ter deficiência para menos, registrando menor consumo do aquele que é realmente gasto. Então, se somar todos os 135 mil hidrômetros da cidade, é muita coisa", ponderou.

O ideal, na opinião de Coronel Meira, é que o DAE faça a substituição dos equipamentos. "Em média, um hidrômetro custa para o consumidor cerca de R$ 50. Então, seria um investimento de cerca de R$ 6,7 milhões para o DAE, mas substituindo 120 mil hidrômetros, em dois a três meses, esse investimento poderia ser recuperado com o montante que a prefeitura passaria a arrecadar", explicou.

Coronel Meira adiantou que pretende levar o assunto a uma Audiência Pública, que será realizada no próximo dia 14 para debater a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). "Vamos debater o orçamento, mas eu quero saber da presidente do DAE se existe previsão no orçamento desse ano para a troca de hidrômetros", afirmou.

Baixo investimento impede universalização

De acordo com o Ranking do Saneamento, Bauru investiu no período de um ano, em média, R$ 26,35 por habitante quanto ao saneamento básico. Franca, com cerca de 353 mil habitantes e ocupando a 4ª colocação no Ranking, investiu R$ 123,22.

Entre as 20 melhores cidades, o investimento anual médio por habitante, no período de 2015 a 2019, foi de R$ 84,59, enquanto nas cidades piores classificadas foi de R$ 31,45.

Estudos indicados pelo Instituto Trata Brasil revelam que, em média, as cidades deveriam investir um valor aproximado de R$ 113,30 por habitante ao ano para garantir a universalização dos serviços.

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