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Política

Bauru já tem 70 mil pessoas vivendo na linha da pobreza e cenário é crítico

Número de pedidos mensais por cestas básicas passou de 1.000, em 2020, para 4.705 no último mês de março

por Tânia Morbi

09/04/2021 - 05h00

Samantha Ciuffa

Procura por cestas básicas cresceu muito e é último recurso para muita gente

Bauru conta com 70.206 pessoas vivendo entre as faixas de pobreza e extrema pobreza, segundo dados da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Estão incluídas nestas faixas famílias que vivem com renda per capita entre R$ 89 e R$ 550, segundo os parâmetros de vulnerabilidade definidos pelo governo federal.

Os dados foram apresentados no início da semana, em uma audiência promovida pela vereadora Chiara Ranieri (DEM), na qualidade de presidente da Comissão de Educação e Assistência Social, na qual a Sebes participou. Eles revelam um cenário crítico em relação à situação socioeconômica de grande parte da população bauruense, confirmado por outras informações, como a explosão no pedido de cestas básicas no mês de março, que chegou a 4.705 pedidos contra a média mensal de 1.000 cestas em 2020, quando a pandemia já estava instalada.

Ao todo, este ano, 10.102 pessoas vivem em Bauru em situação de extrema pobreza; 3.093 em situação de pobreza e 57.011 com até 1/2 salário mínimo. De acordo com a Sebes, todas estão inscritas no CadÚnico (Cadastro Único para programas sociais do governo federal). O objetivo do CadÚnico é identificar as famílias nas faixas de pobreza e ajudar os governos de todas as esferas a desenvolver ações voltadas para esses grupos populacionais.

Além do número expressivo de famílias pobres, também aumentou exponencialmente a quantidade de pessoas que procuraram por algum tipo de serviço nos centros de atendimento social Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e Cras (Centro de Referência da Assistência Social).

Em 2019, 34.502 pessoas procuraram por atendimentos diversos e, em 2020, este número mais que dobrou, chegando a 72.743 pessoas. Apenas nos dois primeiros meses de 2.021, foram 9.309, média mensal de 4.654 pedidos. Entre os serviços buscados estão desde orientação e encaminhamento até concessão de auxílio e serviços, entre outros.

Segundo a secretária da Sebes, Ana Cristina de Carvalho Sales Toledo, um estudo vem sendo realizado para avaliar a possibilidade de ajustar o orçamento deste ano à alta da demanda. "Estamos vendo como podemos ajustar economicamente, verificar fundos e outras possibilidades para ver como resolver isso". O estudo envolve também as secretarias de Economia e Finanças, Administração e Negócios Jurídicos, e precisa ser feito, de acordo com Ana Cristina, porque a maioria dos recursos da Sebes tem destinação vinculada. "Dentro da Assistência não podemos fazer desvio de finalidade", afirmou.

Para a secretária, a ação emergencial é o fornecimento de alimentos para as famílias que sentem de forma mais acentuada os efeitos da pandemia. "A gente precisa atender as famílias, e a maior demanda é alimentação. Temos intensificado os serviços que já existem, como a entrega de alimentos. Entre janeiro e março, foram entregues 75 mil marmitex e 45 mil kits alimentos", disse.

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