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Política

Possibilidade de concessão do DAE e outros atos repercutem no Legislativo

Vereadora Estela Almagro afirma que irá mobilizar a oposição; já o líder do governo, Marcelo Afonso, defende a iniciativa

por Tânia Morbi

14/04/2021 - 05h00

Fotos: Câmara/Divulgação

A vereadora Estela Almagro (PT) é contra a maioria dos pontos anunciados anteontem

O anúncio da criação de um Núcleo de Estudos de Concessões feito pela prefeita Suéllen Rosim (Patriota), na noite desta segunda (12), que retoma a discussão em torno de uma nova gestão para o DAE (Departamento de Água e Esgotos), e de outros serviços públicos de Bauru, repercutiu ontem no Legislativo Municipal.

O anúncio foi feito em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais da prefeita e reúne sete pontos principais - as concessões do tratamento final do lixo urbano, dos serviços de água e esgoto, do Recinto Melo Moraes e da Estação Ferroviária. Também deverá ser reavaliada a discussão sobre a PPP da iluminação pública, a transformação da Emdurb em uma autarquia e a venda de terrenos públicos.

A vereadora Estela Almagro (PT) emitiu uma nota pública, nesta terça-feira (13), criticando duramente as possibilidades abertas pelo pronunciamento da prefeita, especialmente em relação ao DAE. "As concessões e privatizações, sobretudo do DAE e do serviço de coleta e beneficiamento do lixo em Bauru sempre foram objeto de lobby de diversos setores econômicos. As medidas anunciadas pela prefeita estão na contramão da história e tradição da cidade de Bauru", diz a vereadora.

Por telefone, ao JC, Estela reafirmou que irá atuar contra qualquer iniciativa que possa levar à privatização dos órgãos públicos. "Até o morador mais humilde da cidade sabe que o problema do DAE é de gestão. Por que discutir a entrega do DAE se você tem uma autarquia superavitária, com os números de funcionários que tem, com a estrutura que tem e com o Fundo Municipal Esgoto de R$ 180 milhões?", questionou.

Estela defende que o uso do Fundo pode garantir a modernização do DAE e que outros vereadores também são contra a iniciativa da prefeita.

Apenas dois pontos sugeridos pela prefeita tem apoio da vereadora - a concessão do Recinto Melo Morais e a questão da iluminação pública.

O líder do governo na Câmara, Marcelo Afonso (Patriota), defende que as possibilidades criadas pelo governo municipal são práticas e, no caso do DAE, podem resolver um problema crônico que se estende há décadas. "A falta de água é hoje o segundo tema mais crítico em Bauru, depois da pandemia. Então, se não tem solução, o caminho é a privatização. Mas, nada vai ser feito à força, acredito que a prefeita irá manter todas as decisões públicas e só vai tomar as decisões depois de ouvir a população e a Câmara".

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