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Para líder do governo, atos contra Bolsonaro antecipam eleição

Na avaliação do deputado Ricardo Barros, protestos deste sábado (29) abrem disputa de 2022 entre o atual presidente e Luiz Inácio Lula da Silva

por FolhaPress

30/05/2021 - 16h37

Allan White/FotosPublicas

Ato contra Bolsonaro ocorrido neste sábado na Avenida Paulista, em São Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) afirmou neste domingo (30) que as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) antecipam a corrida eleitoral ao Palácio do Planalto.

Segundo Barros, os protestos deste sábado (29) abrem a disputa de 2022 entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista não participou dos atos, mas líderes da legenda foram às ruas.

"A polarização está consolidada. A terceira via vai se dividir em muitas candidaturas. Como se diluem as candidaturas, a tendência é Lula e Bolsonaro no segundo turno", disse Barros à Folha de S.Paulo.

Houve protestos contra Bolsonaro com milhares de manifestantes em várias cidades do país. Os atos foram realizados em todas as capitais brasileiras, com grandes concentrações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Barros disse que os protestos foram "dentro da normalidade" e não geraram preocupação no governo. "Não conversei com o presidente [sobre os atos]. Eu mesmo não achei que foi grande coisa", afirmou.

O deputado afirmou que, após os protestos deste sábado, grupos de esquerda perderam os argumentos para criticar aglomerações promovidas por Bolsonaro durante a pandemia. O presidente costuma ir a atos de apoiadores.

"Foi muito útil que tenham feito isso. Criticam de forma tão convicta as mobilizações do presidente e de repente fazem a mesma coisa. Pelo menos este assunto fica superado", disse o deputado.

Para o líder do governo, os protestos ainda esvaziam críticas da CPI da Covid no Senado Federal sobre aglomerações promovidas por Bolsonaro.

Liderados por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos de esquerda, as manifestações foram alvo de críticas por acontecerem presencialmente em meio à pandemia da Covid-19. O país ultrapassa 450 mil mortes pela doença -com cerca de 2.000 em 24 horas.

Pelo menos nove capitais, além do Distrito Federal, têm ocupação acima de 90% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A recomendação para o uso de máscaras teve ampla adesão. Porém, houve aglomerações em descumprimento a regras de distanciamento social sugeridas por especialistas para conter a disseminação da Covid-19.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Jovem Pan, o deputado minimizou aglomerações em atos políticos durante a pandemia.

"As pessoas têm usado máscaras. Aliás, não existe nenhum estudo científico que prove que máscara diminui a contaminação", disse Barros. Autoridades sanitárias, contudo, recomendam o uso de máscaras.

Segundo o líder do governo, os protestos da esquerda, neste sábado, foram uma reação a manifestações pró-Bolsonaro. Ele citou como exemplo o ato no Rio de Janeiro, no dia 23, que reuniu o presidente e motociclistas.

"Eles estão tentando usar a mesma linguagem", afirmou Barros à Folha.

Segundo o deputado, Bolsonaro demonstou mais força política do que a esquerda nestes atos.

"O apoio é ao Bolsonaro [nos atos pró-governo] e a sua reeleição. A mobilização das esquerdas é contra o presidente, mas os grupos de oposição não estarão no mesmo palanque em 2022", disse o deputado.

No ato de domingo passado, Bolsonaro estava acompanhado do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. General da ativa, ele está na mira da CPI da Covid no Senado.

Na segunda-feira (24), após a ida de Pazuello ao palanque político ao lado do presidente, o Exército abriu um procedimento disciplinar contra o general da ativa.

Integrantes da cúpula da Força pressionam para que seja cumprido o regulamento da instituição. Bolsonaro, Pazuello e militares do governo dizem que o ato com os motociclistas no Rio de Janeiro não foi político.

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