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Política

Decisão do Exército de livrar Pazuello repercute mal

Decisão foi criticada por diferentes poderes e provocou cisão no próprio governo

por FolhaPress

05/06/2021 - 05h00

Brasília - A decisão do Exército de livrar o general da ativa Eduardo Pazuello de punição por ter participado de um ato político ao lado de Jair Bolsonaro foi alvo de críticas tanto no meio militar como em diferentes Poderes, de ex-aliados do presidente a rivais políticos cotados para disputar o Planalto em 2022.

Sob pressão de Bolsonaro, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, arquivou na quinta (3) o processo aberto para apurar transgressão disciplinar por parte de Pazuello após a atuação dele no ato do último dia 23 no Rio.

O caso provocou cisão no próprio governo. O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, havia declarado, dias após o ato no Rio, que uma eventual punição de Pazuello teria por objetivo "evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças Armadas". Nesta quinta (3), Mourão disse que, por "questão de disciplina intelectual", não irá comentar a decisão.

Ex-aliados do atual governo manifestaram publicamente suas discordâncias. O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, disse que a decisão do Exército foi uma "vergonha". "É uma desmoralização para todos nós." A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), antes um dos principais nomes do bolsonarismo, afirmou que estamos no "caminho para o chavismo".

Presidenciáveis também qualificaram como grave e precedente perigoso a isenção dada ao ex-ministro da Saúde. Em suas redes sociais, Ciro Gomes (PDT) escreveu que a participação de Pazuello no ato do Rio foi afrontosa. João Amoêdo, pré-candidato pelo Novo, juntou-se às críticas ao Exército. "O Comandante do Exército, ao não punir Pazuello exemplarmente, abre um precedente perigoso."

O ex-presidente Lula, porém, também pré-candidato à Presidência da República, não fez comentário público sobre a decisão até a publicação deste texto.

Rival de Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também não fez comentários em redes sociais.

No Judiciário, o decano do STF, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que "o sentimento é de perplexidade", além de ser um "preocupante precedente". No Congresso, alguns nomes da oposição também se manifestaram. O deputado federal Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados, criticou a participação de militares da ativa em áreas da administração pública.

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