Bauru

Política

Câmara repercute a crise nas UPAs

Sessão de ontem foi marcada por declarações exigindo urgência na solução do problema que volve médicos, horário etc

por Tânia Morbi

08/06/2021 - 05h00

Divulgação

Júnior Rodrigues

O caos no atendimento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bauru, no final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi, gerou reclamações, críticas e pedidos de informações durante a sessão da Câmara desta segunda-feira.

O primeiro a abordar o assunto foi o vereador Júnior Rodrigues (PSD), que apresentou dados da própria prefeitura sobre o número de médicos concursados que poderiam ser contratados pela gestão pública para aliviar as unidades gerenciadas pela Fundação Estatal Regional de Saúde da Região de Bauru (Fersb). Segundo ele, apenas para clínica geral existem 21 vagas remanescentes, e as demais especialidades somam 42. "Os mesmos médicos que trabalham este ano, trabalhavam no ano passado com Covid. A engrenagem não está funcionando. Precisamos entender o que está acontecendo dentro das UPAs e dentro do nosso sistema de Saúde".

O vereador Júnior Lokadora (PP) lembrou anúncio feito pelo secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, na sexta-feira (4), sobre a implantação de um centro de triagem na unidade de saúde do Jardim Bela Vista, que seria transferida para a unidade do Geisel, a partir desta semana. Para o vereador, é preciso ouvir também os médicos para entender o que está ocorrendo. "Eles não estão indo trabalhar e não tem uma cobrança. Está todo mundo desanimado e se não melhorar a situação de trabalho dos profissionais, nada vai melhorar", afirmou o parlamenar.

Sobre a triagem, Coronel Meira (PSL) sugeriu que deveria ser feita longe das UPAs, no ginásio de esportes da Faculdade de Odontologia de Bauru. "É preciso separar suspeitos de Covid das demais enfermidades", considerou.

O líder da prefeita na Câmara, Marcelo Afonso (Patriota), disse que na noite de domingo (6) ao menos 80 pessoas aguardavam por atendimento do lado de fora da UPA do Mary Dota. A situação caótica perdurava nesta segunda (7), na unidade de saúde do Ipiranga, segundo Julio Cesar (PP). Um erro do sistema de agendamento dos pacientes teria gerado a aglomeração. "Quando cheguei lá, por volta de 12h40, estavam sendo chamados as pessoas agendadas para as 9h30. É necessário que a prefeita olhe para o povo e busque solução. Está todo mundo cansado de postagens, o que a gente precisa é de resultado", afirmou.

Eduardo Borgo (PSL), presidente da Comissão de Meio Ambiente, Higiene, Saúde e Previdência da Câmara, informou que um projeto de lei foi apresentando pela comissão prevendo a divulgação com antecedência de 10 dias dos plantões médicos das unidades de saúde.

Já Mané Losila (MDB) opinou que a situação exige que o modelo de contrato com a Fersb seja repensado. "As pessoas estão morrendo nas filas de atendimento e nós não podemos ver o Poder Executivo aguardando que as coisas aconteçam para tomar alguma medida".

O presidente do Legislativo, Markinho Souza (PSDB), defendeu que a sobrecarga de serviços dos médicos nas UPAs pode ser resultado do não atendimento nas UBS. Pastor Bira (Podemos) avaliou que o problema de atendimento nas UPAs é anterior a essa gestão, mas que hoje a situação é bem mais grave.

Leia mais sobre o colapso no atendimento nas páginas 4 e 7 desta edição.

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