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Geologia do Aquífero Guarani impede novos poços na região Oeste de Bauru

Nas imediações, a vazão é muito baixa; DAE aposta em poços perfurados em outras localidades para aliviar sistema Batalha/ETA

por Tânia Morbi

22/08/2021 - 05h00

JuRehder

Poços em Bauru

Um vazio no mapa do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) referente à localização dos poços em toda a cidade poderia revelar uma falha no planejamento do abastecimento de água, mas a lacuna verificada tem raízes profundas ligadas diretamente ao Aquífero Guarani. A região Oeste de Bauru não possui qualquer poço perfurado pelo DAE devido à pequena vazão do aquífero nessa área, causada por uma formação geológica, que faz com que sua espessura seja consideravelmente menor, inviabilizando a perfuração.

O chamado "domo de Piratininga", formação que estreita o aquífero, vem sendo estudado há décadas, segundo Renato Macari, geólogo do DAE, especialmente pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE). São estes estudos, inclusive, que servem de referência para que o DAE priorize a perfuração na região Central, que forma com a região Oeste o sistema de abastecimento Batalha/ETA.

"Naquela região, os poços não vão dar a vazão adequada. Seriam necessários 10 poços para dar a vazão de um que se faça em outro ponto da cidade. Ali, tem apenas poços particulares, mas que dão, por exemplo, a vazão de 15 metros cúbicos por hora, enquanto o da Praça Portugal tem vazão de 180 metros cúbicos", explicou Renato.

O poço mais próximo da região, onde o aquífero tem menor vazão, será o poço do Alto Paraíso, com a previsão de iniciar o funcionamento até o final do ano. Por meio dele, de acordo com o DAE, será possível confirmar os apontamentos revelados pelos estudos. "Ele será um poço muito importante do ponto de vista da pesquisa. Vai dar uma ideia do que podemos esperar desta região. Tudo que sabemos são de estudos feitos por outras entidades. É importantíssimo do ponto de vista do conhecimento da região, apesar dela já ser bem estudada", comenta.

SISTEMA BATALHA

Os novos poços anunciados pelo DAE, como opões para reduzir a dependência do abastecimento feito pelo Rio Batalha, de acordo com o geólogo, são definidos por critérios técnicos, que consideram a viabilidade de cada obra. "A gente não faz nada se a vazão não é boa. Nossa meta é diminuir a dependência do Batalha. Os poços não são feitos aleatoriamente, mas sim em locais onde tem uma melhor possibilidade de captação e que possa aliviar a água do Batalha. Por sua vez, essa água vai para as outras regiões", explica.

Para não depender do rio, suscetível às mudanças climáticas e que geram a necessidade de rodízios no fornecimento de água, o DAE estima que seja necessário reduzir em 800 metros cúbicos por hora a captação do Batalha. Com o poço do Parque Santa Cândida, concluído no ano passado; da Praça Portugal, entregue na semana passada, e a nova adutora do poço Imperial, serão produzidos cerca de 455 metros cúbicos por hora, mais da metade da quantidade estimada para aliviar o sistema Batalha. "Nossa meta é, mesmo na maior estiagem, abastecer toda a cidade sem a necessidade de rodízio", disse o geólogo.

O DAE também licitou o poço Bauru Shopping, que contribuirá ainda mais para o abastecimento, de acordo com Renato.

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