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Estação: secretário diz que não foi deixado projeto, apenas um estudo

Leandro Joaquim, da Obras, rebate informação do ex-prefeito e alega que nem o valor divulgado teve planilha de custos real

por Marcele Tonelli

15/07/2021 - 05h00

Malavolta Jr.

Leandro Dias Joaquim, atual secretário municipal de Obras

A polêmica envolvendo a lacração do prédio da Estação Ferroviária da Noroeste do Brasil (NOB) ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (14). O secretário municipal de Obras, Leandro Dias Joaquim, alega que a gestão anterior da Prefeitura de Bauru não deixou um projeto de reforma do local, mas apenas um estudo. O titular da pasta diz ainda que o valor da obra, o qual a administração passada aponta ser de aproximadamente R$ 15 milhões, foi baseado somente em estimativas, sem planilha de custos real.

Em matéria publicada nesta terça-feira (13), o ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta afirmou ter deixado projeto pronto e recurso mais do que suficiente no caixa da Educação para que a gestão de Suéllen Rosim reformasse o espaço. O documento apresentado por ele propunha a transformação do local em Estação Educação e Arte, indicando as repartições que receberiam cada atividade no prédio.

'NÃO ENCONTRAMOS'

Após as declarações de Gazzetta, o secretário Leandro Joaquim procurou o JC para rebater as afirmações. "Não há projeto pronto, no máximo um estudo. Não encontramos nenhum número do processo aberto referente a esse projeto na Secretaria de Educação", pontua o titular atual da pasta.

"Quando se fala em projeto, há o anteprojeto, mas nem isso existe, porque nele você precisa ter medidas, cotas. O documento deixado também não é um projeto executivo, porque precisaria ser dotado de pranchas e detalhamento de execução da obra, sentido de abertura de porta, por exemplo. Ali, na Estação, haveria ainda a necessidade de projetos complementares, estrutural, hidráulico e elétrico. Sem isso tudo, não há planilha de custo real. Não sei de onde tiraram que tudo custaria R$ 15 milhões", compara o secretário.

"Inclusive, se um gestor público diz que deixou algo pronto, é porque deixou empenhado. E, para haver o empenho, é preciso do projeto da obra pronto, o que não é o caso. Se tudo estivesse pronto, como ele (Gazzetta) fala, nós já teríamos licitado", acrescenta.

PREOCUPAÇÃO

Leandro Joaquim aponta ainda que, além de reforma e restauração, a Estação necessita de um projeto de drenagem, porque a passagem subterrânea da Gare (pátio) tem registrado alagamentos em dias de chuva forte.

"É um prédio centenário, tem gente que acha que temos feito pouco caso, mas estamos preocupados, pois é um prédio valioso para a cidade. Mas, não adianta jogar dinheiro fora deixando a Estação só 'bonitinha'. É preciso de uma ação estruturante lá, um trabalho sério", afirma o secretário.

Sobre as ações efetivas da prefeitura para elaborar, enfim, o projeto de reforma e tentar reverter a lacração da Estação, o secretário diz que a Obras não possui "fôlego" neste momento para atuar.

Lacração

O prédio da NOB foi desocupado no fim de 2020 e lacrado na última semana de junho deste ano, depois de um inquérito civil do Ministério Público Estadual (MPE) constatar várias situações de risco para frequentadores no local, como a possibilidade de queda do teto da Gare (pátio).

A reabertura está condicionada a uma reforma geral, o que, de acordo com a prefeitura, não há previsão para ocorrer.

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